A chuteira perdeu o amor pela Pátria

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Dois ex-presidentes da CBF que comandam a quadrilha no futebol brasileiro

Este texto é de 13 de setembro de 2015, mas vai ter atual por muito tempo

Um livro de Nélson Rodrigues levou o nome de “Pátria em Chuteiras”, mas também um dia esse grande escritor e jornalista nos tachou de termos o “complexo de vira-lata”, depois da derrota por 2 a 1 para o Uruguai, no conhecido também por “Maracanazo”, em 1950. No esporte perder ou ganhar fez, faz e fará parte sempre. Ninguém é menor por perder. Mas se engradece ao vencer.

Nesse tempo dos idos de 1930 a 1950, nosso futebol emergia para o mundo já que fomos um dos países que abraçam o esporte entre o fim do século 19 e no início do século 20.

Foram fenômenos como Leônidas da Silva, Zito, Garrincha, Didi, Djalma Santos para me resumir a alguns. Pelé não entra na relação, em minha opinião, de grandes jogadores. Único e inatingível, ele é o “Rei”.

Mas voltando à questão da “Pátria em Chuteiras”, foi-se o tempo em que jogador não precisava estar na Europa para vestir a camisa “canarinho”. Bastava jogar bem num grande clube que já despertava o interesse do treinador ou da comissão técnica da então CBD ou mesmo da CBF.

Evaristo de Macedo, que todos conhecemos como treinador do Bahia campeão brasileiro em 88, não foi à Copa de 58 por estar jogando no Barcelona (57/62), na Espanha, pois seria injusto para quem estava no Brasil. Lá ele foi ídolo também do Real Madrid (62/65), uma grande façanha pela enorme rivalidade.

Mas, para ter melhor desempenho, mais técnica, conhecer melhor fundamentos e outros detalhes importantes, o “craque”, “talento” e o bom jogador brasileiro tem que estar no futebol do exterior, de preferência na Europa, para ser lembrado pela Comissão Técnica, da imprensa e da torcida, quase todos voltados para lá ignorando que esses “atletas” aqui nasceram, mas estão perdendo o amor pela Pátria nativa em razão de que, para muitos, tudo ou qualquer coisa boa no esporte está fora do país.

Tivemos grandes decepções no futebol, onde ainda somos a única nação com 5 títulos, detentora do “Rei” do futebol e de grandes astros. Uma das piores a que já me reportei: a derrota de 50. Mas pior do que ela, 64 anos depois, foi a goleada no “Mineirazo”, quando perdemos na semifinal por 7 a 1 para a Alemanha, na mais desastrosa derrota de uma seleção, campeã do mundo ou não, nessa etapa da competição.

Aí em pergunto: “Se quase todos os jogadores que perderam para os alemães estavam na Europa, onde hoje se ganha “know-how” para os “entendidos”, porque esse vexame”?

É da natureza humana amar a terra natal. A maioria absoluta gosta da Cidade, do estado e do País onde tem origens.

Mas será que amor não se perde ao longo dos anos estando jogando fora do Brasil?

Um estudo demonstrou que o trauma de quem volta à Pátria anos depois de morar em outra nação é muito maior do que para os que deixam o país de origem. Os problemas de readaptação são muito maiores.

Então, nada mais natural que os jogadores – que são humanos – se desvincularem da camisa Verde-Amarelo, perderem o “amor verdadeiro” e jogarem apenas para “cumprir tabela”.

Não se pode negar que aqui ou lá são enormes as limitações técnicas de Marcelo (se acha  novo Pelé), Fernandinho, William e Gabriel Jesus para serem “titulares” de uma seleção que deseja ser campeã do mundo e, ainda, tendo fracassado a única esperança de fazer o diferente: Neymar.

A partir dessa constatação – a de que o futebol no Brasil está em crise – as decepções serão em maior número do que as grandes alegrias.

Assim, como muitos sequer retornam ao Brasil, questiono se as chuteiras não perderam o amor pela pátria do futebol, a “Pátria em Chuteiras”.

Enquanto o futebol no Brasil for dirigido por “gangsteres” será assim.

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Yancey Cerqueira,

Radialista DRT/BA 06

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