A Copa dos fiascos

172

E não adianta a Fifa, a televisão e quem transmite a Copa do Mundo da Rússia tentar encobrir todos os fracassos neste Mundial que hoje, 28, tem a última rodada da fase de grupos. Tanto na parte técnica e tática em campo como no aparato para maquinizar o esporte mais popular do Planeta Terra as decepções são flagrantes.

Partidas muito ruins, jogadores abaixo da crítica, seleções de baixa qualidade, árbitros horrorosos e o “factoide” VAR (Árbitro de Vídeo), para onde você apontar, vai perceber que se não fosse o glamour de uma Copa do Mundo, os estádios novos e a sempre empolgantes torcidas, este Mundial se parece muito com os ‘babas’ de várzea dos fins de semana de pessoas que não treinam nem têm porte físico de atleta.

Aliado a isso, os narradores e comentaristas inventados pelas TVs e rádios são piores que bêbados em fim de festa. Todos eles, alguns “tirados a sabichões”, tropeçam nas palavras, erram na gramática, matam o português, tentam ser adivinhos e tratam os ouvintes e telespectadores como se idiotas fossem. Em 3 minutos de partida, alguns leem o jogo que vai durar mais 87. Dos que jogaram futebol e estão nas TVs e rádios, todos disputariam, no máximo, a 5ª divisão brasileira.

Algumas pérolas: Renê Simões: “Neymar não podia chorar ali (em campo). Ele tem que ser profissional”. Esse mesmo Renê mandou, em 2006, o Vitória tocar a bola para passar o tempo quando somente vencer manteria o time baiano na 2ª divisão. Resultado: Vitória empata e é rebaixado para a 3ª pela primeira vez com o professor pardal. Ouvi dizer que Ronaldo “Fenômeno” falou: “O técnico da Rússia é pior que já vi”. A Rússia foi a primeira a se classificar para a próxima fase com duas goleadas. Ele foi jogador, mas não é vidente nem sabe tudo. Poucos acreditavam, inclusive, na classificação da Rússia. Um narrador, que não sei o nome, da Fox Sports ao transmitir um jogo e ver uma goleada, dizia a cada gol da Croácia contra a Argentina, que ele torcia: “Desgraça, que desgraça”.

Como todo mundo no Brasil se acha um médico, então todo mundo pode falar a asneira que quiser. Cada um tem uma aptidão e falar (transmitir pensamentos) é uma arte para poucos.

E mais feio ainda é ouvir comentaristas e narradores fazendo bolão de resultados. Isso é para torcedor em arquibancada e mesa de bar. Eles precisam se preservar.

Eu não falo da Rede Globo porque não vejo. Eu não sou da família Flintstone.

Os ex-árbitros “comentaristas” sequer se entendem. Se no campo, intencionalmente ou não erravam lances bobos ou difíceis, ao analisar depois de ver 10 vezes a imagem, tem cada um uma opinião. Para uns foi pênalti, ou impedimento ou falta, para outros não. E como fica o torcedor? Também no achismo?

Até os ‘VAR’ – árbitros de vídeo, não conseguem ser uniformes.

Os jogos se tornaram lutas livres (telecatch) de defesa contra-ataque que prometiam muito e… nada.

Ver durante 90 minutos uma equipe apenas se defender, indo ao ataque apenas em chutões e a outra apenas tentar o gol e cometer erros e falhas bisonhos é o comum na Rússia 2018.

E as partidas? E os “craques” de vídeo game?

E as partidas? E os “craques” de vídeo game?

O Mundial não pode ter mais do que 24 seleções, A partir da aqui, cai terrivelmente a qualidade técnica. Determinadas seleções vão à Copa apenas para não perder. Não levar gol é ser campeão do Mundo. Fica impossível ver a luta do gato contra o rato por R$ 200,00.

Não dá para ver, com todo respeito, Arábia Saudita, Austrália, Costa Rica, Egito, Irã, Islândia, Marrocos, Panamá e Tunísia como seleções de futebol em Mundiais.

E como tudo que está ruim pode piorar, serão 48 seleções em 2026. Lembra de: “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional” na ditadura brasileira? Pois, é a corrupta Fifa de hoje.

E finalizando, quantas decepções em campo. Para citar apenas as grandes promessas. Cristiano Ronaldo – um bom jogo e dois fiascos; Messi – nenhuma boa partida, e ainda teve gente que disse que o gol contra a Nigéria foi “golaço”. Nem em videogame. E Neymar: decepção na primeira partida, notado na segunda e razoável na terceira. Todos prometiam e esperamos mais deles.

É que hoje, antes do Mundial, os jogadores chegam à Copa do Mundo, uma competição única e diferente, mais craques do que são, podem ou farão.

Todos estão devendo, e muito.

Num passado recente, craque é quem acumulava vitórias e títulos e ratificava com grandes exibições nos maiores eventos. Mas para fazer média na era das redes sociais, como disse Romário: “Basta o cara saber dar um passe, já chamam de craque”.

Chico Buarque disse um dia: “Vivemos a era da idiotice globalizada”. E ela chegou ao futebol (não é futebó).

Yancey Cerqueira

Radialista DRT/BA 06

COMPARTILHAR