quinta-feira , 29 junho 2017
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Autor do pedido de impeachment de Dilma deixa o PSDB

A decisão do PSDB, na noite desta segunda-feira (12), de permanecer na base aliada do governo de Michel Temer deflagrou a desfiliação de tucanos. Autor do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o jurista Michel Reale Jr. anunciou que deixará o PSDB e disse que o partido será enterrado.

“Espero que o partido encontre um muro suficientemente grande que possa servir de túmulo”, disse Reale, ao jornal O Estado de S.Paulo, acrescentando que a saída do partido foi oficializada na terça-feira (13) por meio de carta ao diretório nacional.

Para o jurista, que já chegou a defender o impeachment de Michel Temer, o PSDB foi fraco eticamente e que sua saída do partido se dá, portanto, “diante de tantas vacilações e fragilidades”.

“Foi difícil sair de um partido do qual fui vice-presidente em São Paulo, amigo de todos seus dirigentes, compartilhei ideais e esperanças, mas desisti diante de tantas vacilações e fragilidades onde não se pode ser fraco que é diante da afronta à ética”, completou.

Após a decisão do PSDB, na noite desta segunda-feira (12), o presidente nacional interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que o partido segue na base de apoio ao governo Michel Temer, mas que serão feitas avaliações diárias dos cenários políticos.

Contudo, Tasso defendeu que o partido recorra da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que absolveu a chapa Dilma-Temer. Ele disse que os advogados do partido vão aguardar a publicação do acórdão e depois submeter a decisão à executiva.

“Eu, como presidente, penso que devemos recorrer. O advogado quer esperar a publicação [do acórdão]. Vamos continuar no governo Temer, sem deixar de lado as nossas convicções. E eu estou convicto de que houve corrupção na eleição de 2014”.

Perguntado se essa posição não seria incoerente, o tucano reconheceu que sim, mas que prefere seguir suas convicções. “Com certeza há uma incoerência nisso, mas foi a história que nos impôs. Esse não é o meu governo, nem o governo dos meus sonhos. Não votei nele [Temer] nem nela [Dilma]. Estamos juntos para dar a estabilidade que o país precisa. Estaria mais confortável com alguém do PSDB [na Presidência]”.

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