Defesa quer usar nomeação de Moro em habeas corpus para Lula

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A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um habeas corpus que tem como fundamentação o fato de o juiz federal Sergio Moro ter aceitado o convite para assumir o Ministério da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo pessoas com acesso à defesa de Lula, os advogados vão alegar que a ida de Moro para o ministério comprova a tese de que o juiz foi parcial e tinha motivações políticas para condenar o ex-presidente e tirá-lo da corrida presidencial.

Um dos argumentos será a declaração do vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), de que o convite a Moro foi feito ainda durante a campanha eleitoral. A defesa vai citar que o juiz liberou a delação do ex-ministro Antonio Palocci, cujo principal alvo é Lula, apenas seis dias antes do primeiro turno das eleições.

A liberação da delação de Palocci às vésperas da eleição é um dos pontos que petistas e advogados de Lula vão explorar para reforçar a narrativa de que Moro tratou o ex-presidente com parcialidade.

“É uma indecência. Mostra claramente que ele (Moro) sempre misturou a atividade jurisdicional dele com a política”, disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ), que integra a defesa do ex-presidente.

Para ele, Moro deve se afastar imediatamente de todos os processos que envolvam Lula. Em nota oficial divulgada no início desta tarde, o juiz informou que “logo” vai se afastar de “novas audiências”. Está marcado para o próximo dia 14 o interrogatório de Lula em uma das ações em que é réu na operação Lava Jato. A ex-presidente Dilma Rousseff também explorou este fato em uma série de mensagens publicadas hoje em uma rede social. Segundo ela, a liberação da delação prejudicou a candidatura ao Senado.

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