Ipirá: Filho de secretária de Educação ameaça “cortar pescoço” de funcionária pública

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Não é a primeira vez que Abraão, conhecido por Kiko, assedia críticos da mãe, faz ameaças verbais e diz que ainda vai partir para ação física

O episódio registrado este mês contra a funcionária pública, Mônica Freitas, única bibliotecária da cidade de Ipirá, cidade que fica na Bacia do Jacuípe a 210 km de Salvador, foi registrado na Delegacia Territorial da cidade, é consequência das muitas críticas públicas pelo descaso da secretária de Educação, Edineuza Ribeiro Oliveira, conhecida por Neuzinha, que há 4 meses tentou fechar a Biblioteca Municipal Eugênio Gomes, que fica na Praça Roberto Cintra, Centro. O fato não se consumou porque se isso acontecesse, o Município pagaria uma multa de aproximadamente R$ 145 mil por mês.

Segundo testemunhas da agressão verbal, que preferem não se identificar com receio de represálias, Abraão, o Kiko, dirigiu ameaças a funcionária a quem acusa de ser responsável pelas manifestações de outros servidores e da população contra a gestão da educação desde que Marcelo Brandão assumiu. Kiko disse que “da próxima vez” vai cotar o pescoço da funcionária.

Todos os fatos foram registrados na Delegacia de Polícia, na APLB / Sindicato em Ipirá e também no Conselho Municipal de Educação de Ipirá, que ainda não se manifestou publicamente.

Repetição

Há um ano, Kiko, também ameaçou agredir um conselheiro do Conselho Comunitário de Segurança, portador de deficiência, pelas mesmas razões. Em outro momento, Mônica e outra funcionária que trabalhava na biblioteca foram ameaçadas pelo filho da secretária, e nenhuma atitude foi adotada pelo “inerte e omisso” prefeito da cidade que, quando apresentador de um programa de rádio, dizia que “Ipirá tinha dinheiro para tudo. Bastava o então prefeito sair do gabinete e colocar o capacete para trabalhar”.

Caos na Biblioteca

Funcionando precariamente num local inadequado, falta tudo na Eugênio Gomes. Não tem sala de leitura, a internet precária (frequentadores usam cedida por um comerciante que fica próximo), os computadores são obsoletos, os aparelhos de ar-condicionado não existem, as cadeiras são inadequadas e, por falta de manutenção, o cupim estaria tomando conta do local não fosse a ação dos poucos funcionários. As portas de vidro da biblioteca precisam ficar abertas por falta de climatização no local. Pelo desejo manifesto da secretária, que é professora, a Biblioteca Eugênio Gomes já teria sido fechada.

Conselho de Biblioteconomia

Em recente vistoria à Biblioteca Eugênio Gomes, o Conselho Regional de Biblioteconomia fez um levantamento da situação das instalações e, em breve, deve emitir um parecer sobre o quadro atual do local e funcionamento.

Um ato de constatação foi lavrado e assinado pela funcionária que responde pelo setor, apesar de ferir a Lei 4.084/62, que exige direção de um profissional formado em Biblioteconomia. No caso, a funcionária seria Mônica Freitas que esteve afastada por problemas de saúde, mas que é considerada desafeta pela administração.

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