Salvador: Canto às entidades africanas marca show no Largo do Pelourinho

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Foto: Elói Corrêa/GOVBA

A noite de domingo (11), no Carnaval do Pelô, começou com um toque especial e completamente voltado para um louvor às entidades africanas e afro-brasileiras. Mateus Aleluia, Ana Mametto e Rita Benneditto apresentaram o show inédito “Folia Afro Brasileira”, no Largo do Pelourinho e saudaram os orixás, inquices e voduns com canções conhecidas tanto no período carnavalesco quanto fora dele, entre elas, Ashansú e Deixa a Gira Girar.

“O culto de matriz africana é quem deu origem a esta cultura, se não houvesse culto, não haveria cultura”, resume o cantor e compositor Mateus Aleluia. Participante de inúmeros carnavais, inclusive com o conjunto musical Os Tincoãs – do qual fez parte, aos 74 anos, Mateus não deixou escapar a emoção que foi fazer parte do projeto que uniu as três vozes. “É uma felicidade muito grande ver uma jovem como Ana Mametto e uma mais ou menos jovem como Rita Benneditto ter um encontro comigo que não sou tão jovem para reverenciar os inquices, os voduns e os orixás”, disse.

A alegria em fazer parte desse momento também contagiou a maranhense Rita Benneditto, que pela primeira vez cantou no Carnaval de Salvador. “É a minha estreia no Carnaval, no Pelourinho, no Centro Histórico. E estar ao lado de Mateus Aleluia, com Ana Mametto e referenciando a cultura afro-brasileira, só posso crer que é um presente dos deuses, no meu caso presente de Iansã e Xangô”, conclui.

A reunião das três vozes foi inédita e agradou centenas de foliões que foram ao Largo do Pelourinho. É o caso dona do restaurante Ajeum da Diáspora, Angélica Moreira: “Estão todos de parabéns. É um enorme prazer ver esse tipo de repertório e apresentação no Carnaval do Pelô, afinal, esse tipo de música é a nossa raiz”, salienta.

Falando em raiz, para a cantora Ana Mametto o encontro dessa noite dialogou profundamente com o tema do Carnaval do Pelô deste ano Revolta dos Búzios – liberdade e igualdade. “Foi uma feliz coincidência realizar este projeto em 2018, pois a resistência é algo cotidiano para a população negra, especialmente para o povo de santo. Então, considero que foi um deleite fazer parte disso e de termos sido abraçados pelo público”, destaca.

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