Salvador: Sindicalista é acusado de assédio sexual contra funcionárias da entidade

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Foto: atarde.com.br

O Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) abriu inquérito civil para investigar denúncias de assédio sexual sofrido por funcionárias do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado (Sintepav), com sede no bairro de Nazaré, em Salvador. Entre as vítimas, que até agora somam oito, também estão mulheres sindicalizadas à entidade, que teriam sido assediadas em canteiros de obras.

O processo que apura as acusações, recebidas anonimamente pelo MPT-BA em dezembro, tramita no regime de segredo de justiça. Entretanto, o presidente em exercício do Sintepav, Irailson Warneaux de Oliveira Gazo, informou que as acusações pesam contra o secretário-geral da entidade de classe, Paulo Roberto da Silva.

Conforme Gazo, um inquérito administrativo será aberto, a fim de afastar o dirigente. Antes, porém, as vítimas estão sendo ouvidas, contou ele. A oitiva das mulheres também acontecerá na sede do MPT-BA, no Corredor da Vitória, nas próximas semanas, em data e horário sigilosos.

“Já há informações que foram fornecidas ao advogado do Sintepav, que vai defender essas mulheres. Estamos ouvindo e preparando o inquérito administrativo. Estamos seguindo a questão estatutária para chegar até a destituição”, afirmou o presidente em exercício do sindicato. Ele contou que, nesta quinta, 8, a investigação foi informada pelos advogados da entidade para Paulo Roberto da Silva.

Modus operandi

Silva afirmou que não tinha sido notificado da denúncia recebida pelo MPT-BA. Questionado se as acusações de assédio sexual relatadas eram verdadeiras, preferiu não se estender.

“Desconheço o processo e o fato. Não tenho nada a declarar”, evadiu-se, interrompendo a ligação. Depois de ser perguntado de novo sobre o assunto, Paulo Roberto da Silva calou-se.

Sorteada eletronicamente para atuar no caso, a procuradora do trabalho Rosângela Lacerda evitou entrar em detalhes sobre a denúncia e o modo de agir do denunciado, mas classificou como “graves” os fatos descritos. “São graves e apontam atos libidinosos, de cunho sexual”, confirmou.

Trâmite

De acordo com a procuradora Rosângela Lacerda, o Sintepav já foi notificado da abertura do inquérito civil pelo MPT-BA. O processo, que tem prazo inicial de 90 dias para ser finalizado, pode ser prorrogado por igual período. É a instituição sindical, explicou ela, a acusada neste caso, já que o MPT trata exclusivamente de questões trabalhistas.

Logo após os depoimentos, frisou a procuradora, a transcrição deles é encaminhada ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), órgão responsável por oferecer denúncia contra o acusado pelo crime de assédio sexual. Nessa instância, o promotor responsável pode oferecer denúncia logo ou abrir outro inquérito para que a Polícia Civil investigue criminalmente o caso.

Fonte: atarde.com.br

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