Advogada acusa OAB de racismo

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Isabela Damasceno Foto; Arquivo pessoal

Depois de acusar um funcionário da Ordem dos Advogados do Brasil/Seção Minas Gerais (OAB/MG) de racismo, a advogada Isabela Damasceno ainda espera posicionamento da entidade. Segundo ela, o fato ocorreu em 12 de março, na sala do Daat (Departamento de Apoio aos Advogados Trabalhistas) da Justiça do Trabalho, no Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

“É um caso de racismo estrutural clássico. Em 12 de março, eu estava ingressando na sala do Daat e um servidor da OAB veio atrás de mim e me perguntou se eu era advogada. Um outro profissional, homem e branco, entrou junto comigo e não teve o mesmo tratamento. Então, mostrei a carteira da OAB e questionei o motivo de só eu ter sido abordada. Ele disse que eu não era conhecida ali”, conta a advogada, que é negra.

Isabela diz por que resolveu procurar a polícia: “Fiquei lá 40 minutos, entraram uns 30 advogados e advogadas e nenhum mereceu o tratamento que recebi. Isso me gerou a indignação. Fui à Delegacia de Crimes Raciais, na Avenida Barbacena, e registrei queixa”.

A OAB afirma que a ouvidoria deu respostas e apoio imediatos à profissional e diz ter os protocolos de atendimento gerados com datas e mensagens de aplicativos. “Nunca alheio aos fatos e em consonância e coerência com os preceitos de igualdade, liberdade, diálogo e respeito defendidos pela OAB/MG, e ao contrário do que foi alegado pela advogada, o presidente Raimundo Cândido Júnior, entrou, pessoalmente, em contato com Isabela Damasceno para prestar apoio e solidariedade, assim que tomou ciência do caso”, afirma a entidade em nota. Entre outras medidas cabíveis, o servidor envolvido no episódio, que a OAB qualificou como “lastimável” foi desligado do Departamento de Apoio ao Advogado da Capital.

Isabela sustentava ter acionado a Comissão de Promoção da Igualdade Racial, a Diretoria da sede do DAAT/MG, a Presidência da OAB/MG, a Ouvidoria da OAB/MG e sustentava não ter recebido respostas até ontem. “Achei que o tema seria caro ao presidente, Raimundo Cândido Júnior, que é negro, mas nada foi feito até agora”, alegava a advogada, contrariando o teor da nota da entidade.

A OAB/MG não tem como controlar as ações de todos os funcionários dela. Mas tem de tomar uma posição, até para que outro não faça o mesmo. Deveria preparar os servidores para a diversidade, seja a pessoa negra, mulher, trans, periférica”, argumenta.

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