Câmara aprova decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro

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A Câmara aprovou, na madrugada desta terça-feira (20/2), por 340 votos a favor e 72 contra, a intervenção federal no Rio de Janeiro. Foram mais de sete horas de sessão e uma infinidade de discursos. A matéria deve ser analisada ainda hoje no Senado, a partir das 18h30, após sessão do Congresso Nacional.

Cuidadosa para não passar uma imagem impopular, a oposição preferiu criticar o caráter eleitoral da medida, afirmando que o governo trocou a derrota certa na reforma da Previdência pelo debate da segurança pública. Já a base mostrou alinhamento com o Planalto e colocou, em plena segunda-feira (19/2), quase 440 deputados em plenário.

 Enquanto a Câmara discutia o decreto, os militares realizavam a primeira grande operação no Rio. “Neste instante, 3 mil homens das Forças Armadas, além de agentes da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança, estão cercando todas as rodovias que dão acesso ao Rio e a pontos considerados estratégicos no roubo de cargas”, anunciou o ministro da Defesa, Raul Jungmann, ao chegar ao Congresso ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Segundo Jungmann, a operação ainda fazia parte do planejamento da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) iniciada em julho do ano passado. O foco da operação foi o complexo do Chapadão, na Zona Norte, com o deslocamento de militares, muitos deles com rostos cobertos com balaclavas.

Várias entradas da comunidade foram fechadas nos bairros de Guadalupe e Anchieta, na Zona Norte. O Chapadão reúne criminosos que deixaram morros ocupados pelas UPPs, como o Complexo do Alemão, e montaram ali uma central que se especializou no roubo de cargas. Tanto o Chapadão quanto a Pedreira ficam próximas da Avenida Brasil. A primeira está sob controle do Comando Vermelho e a segunda, dominada pela facção rival Amigos dos Amigos.

Apesar de, em um primeiro momento, ter demonstrado sua contrariedade por não ter sido comunicado sobre a intervenção, o presidente Rodrigo Maia fez um discurso duro a favor da intervenção. “Estamos numa guerra contra o crime. Nossa arma é a Constituição. E a nossa missão é defender a democracia dando ao Estado os poderes excepcionais previstos na Constituição para assegurar a manutenção da ordem e do Estado Democrático de Direito”, afirmou Maia.

Ele reforçou que a medida posta em prática era uma intervenção federal, e não uma ação militar. “De forma clara e direta: se fosse uma intervenção militar, esta Casa, com toda razão e com todo o meu apoio e energia, a derrotaria”. Ele também criticou o governo fluminense, sem citar diretamente o governador Luiz Fernando Pezão. “O governo do Rio de Janeiro sucumbiu à desordem. Torna-se urgente, inadiável, fazer prevalecer a ordem. Levar de volta a paz de espírito às ruas do Rio de Janeiro e de todo o país também”, disse ele.

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