Candeias: A cidade que você não vê na TV – saúde caótica

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Hospital José Mário dos Santos (Ouro Negro) / Candeias/BA

Instalações precárias, falta de médicos e profissionais de saúde e de material básico e até água ou mínimo para funcionar fazem parte do dia a dia de pacientes e funcionários da saúde na cidade que arrecada R$ 350 milhões por ano

Nos 62 anos de emancipação política de Candeias, na Região Metropolitana a 46 km de Salvador, um dado triste é a condição em que se encontra o sistema de saúde municipal.

Apesar de, numa publicação a Prefeitura afirmar que investiu R$ 135 milhões em 3 anos e meio, o que se vê são PSF (Postos de Saúde da Família), UBSs (Unidades Básicas de Saúde), o Hospital José Mário dos Santos (Ouro Negro) e a Policlínica funcionam precariamente deixando irritados e indignados todos que precisam utilizar os serviços. Não foi construída nenhuma unidade e as reformas foram apenas paliativos.

Hospital

No hospital, que está sob intervenção desde a posse de um médico em 1°/01/2017, além da falta de profissionais (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros, etc.) os equipamentos como ECG e Ultrassom funcionam dia sim, dia não porque faltam médicos (demitidos em maio) para operar e, aquilo que deveria ser de ‘urgência e emergência’, não passa de uma clínica com nome de hospital.

Ao chegar lá, a maioria dos pacientes internados pedem por tudo para serem transferidos urgentemente porque o atendimento é deficiente por falta de funcionários.

Recentemente, o raio X quebrou e a unidade ficou por quase 1 meses sem o aparelho. Um vídeo gravado dentro de uma ambulância de um parente denunciando que estava indo para São Sebastião do Passé porque o equipamento não funcionava, viralizou na região.

Nos últimos meses, o caso do natimorto (colocado sobre o capô de um carro do lado de fora da unidade próximo a um contêiner de lixo foi notícia nacional), assim como a morte da comerciária Manuela Xavier que teria ido 4 vezes e, por falta de ultrassonografia e prescrição médica adequada) morreu dentro do hospital.

Policlínica

A Policlínica, no bairro do Malembá, que parou de funcionar no início de maio – começo da maior pandemia dos últimos 100 anos no mundo com a demissão de aproximadamente 30 médicos – hoje funciona com deficiência. Um dia tem médico, outro não. Uma denúncia de uma médica demitida na Rádio Baiana FM foi ratificada por outro médico sobre o descaso de uma cidade que tem como gestor justamente um médico. Em Candeias, 1.750 foram infectadas e 36 morreram de covid-19.

PSF / UBS

Nos PSF (Postos de Saúde da Família) – quase todos sem nenhuma reforma em 3 anos e 7 meses, que mais parecem prédios abandonados (foto do PSF de Menino Jesus)– são alvo de críticas na imprensa, nas rádios e redes sociais. Todos os dias alguém reclama nas rádios e redes sociais que pediu consulta ou fez exames há 6 meses e nem de um nem do outro obtém resposta. As instalações elétricas, físicas e hidráulicas são precárias e não se exagera se alguém disser que são ambientes insalubres.

UPA

A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) foi fechada nos primeiros dias da atual indigestão, um fato histórico no Brasil. Uma cidade administrada por um profissional de medicina fecha uma unidade de saúde, que hoje está totalmente danificada e sem condições de recuperação. Inclusive, foi desativada pelo Ministério da Saúde.  A unidade atendia aproximadamente 300 pessoas por dia.

Central de Covid

A unidade no bairro da Pitanga ao lado do Centro Luiz Viana deveria funcionar 24h por dia, 7 dias na semana, mas a falta de médicos por diversas vezes foi denunciada pelos vereadores que receberam informações sobre o descaso da gestão. Segundo foram informados, os médicos foram contratados por terceirizada e não receberam os salários. Por isso, segundo os edis, não compareceram por dois fins de semana seguidos.

Quem apresentava sintomas do novo coronavírus se dirigia ao Centro Luiz Viana se misturando com outros pacientes como cardíacos, diabéticos e hipertensos, muitos idosos, e integrantes do alto grupo de risco.

Denúncias

Na Câmara Municipal, os vereadores de oposição apresentam denúncias praticamente em todas as sessões, mas não sensibilizam a gestão do médico nem da assistente social, que é a supersecretária de Saúde e Assistência Social.

Os vereadores da base de sustentação do autarca sequer sentem-se inspirados para defender a administração pelos sérios e graves problemas expostos quase todos os dias.

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