Candeias: A Secretaria de Saúde é responsável pelo hospital, não a intervenção

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Hospital José Mário dos Santos (Ouro Negro) / Candeias/BA

Cláudia Viana se ofereceu a comparecer a Câmara de Candeias para tirar dúvidas sobre quem administra o hospital municipal e o papel da intervenção federal depois de ver na imprensa o caso do natimorto

A advogada Cláudia Viana, interventora designada pelo juiz federal Ávio Mozart para o Hospital José Mário dos Santos (Ouro Negro) de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, esteve na Câmara Municipal na segunda-feira, 15/06, e por 4h seguidas esclareceu pontos como o papel hoje da intervenção e afirmou taxativamente: “Quem administra o hospital é Secretaria de Saúde de Candeias. Nós fazemos a fiscalização de atos e cobramos ações que melhorem o atendimento do serviço de saúde na unidade”.

Ela, que esclareceu ser apenas fiscal da intervenção e não ser responsável pela gestão da unidade e isso ser função da Secretaria de Saúde da cidade, se colocou a disposição dos vereadores logo após tomar conhecimento dos últimos acontecimentos para falar sobre os assuntos referentes a unidade de saúde, em especial as polêmicas envolvendo um natimorto e a morte de uma comerciária.

A interventora pediu em diversos momentos que os vereadores falassem apenas do problema relacionado ao Hospital Ouro Negro, onde a intervenção atuava na fiscalização e não sobre outros problemas da saúde da cidade.

Cláudia Viana informou que atos como nomeação, demissão, exoneração, compras e todas as ações administrativas, financeiras e de pessoal cabe apenas a Secretaria que informa a ela que, por sua vez, comunica ao juiz do caso por meio de relatórios.

Perguntada pelos vereadores quando acabaria a intervenção no hospital, Cláudia disse que não tem uma data estipulada. “A intervenção é instituída para fiscalizar aquilo que não está em conformidade com legislação da saúde. A cada 2 meses eu mando um relatório para o juiz federal e quando ele perceber que todas as lacunas foram sanadas, e ainda não foram, a intervenção será retirada”, explicou.

Cláudia Viana, que estava acompanhada da assessora Maica Matos Leão, disse também que não trataria das questões políticas, assim que um dos vereadores falou de antigos gestores. “Meu papel no hospital é puramente técnico e devo satisfação ao juiz. Não possa fazer juízo de valor a fulano e ciclano, pois não os conheço”, ponderou.

No assunto covid-19, perguntada como o hospital está trabalhando com esses pacientes, a interventora respondeu que a unidade tem sete leitos para tratamento do novo coronavirus com respiradores, os quais, segundo ela, são suficientes para atender a demanda. “O Ouro Negro é diferente de um Hospital de Campanha onde um paciente pode ficar até 15 dias com um respirador. Aqui não. Ele chega é encaminhado para esse setor de isolamento e já tratamos para a regulação se o quadro se agravar. Ou seja: ele não fica muito tempo na unidade”, respondeu.

Arrumação de corpo

Quanto aos casos polêmicos, sobre a arrumação do natimorto ocorrida do lado de fora do hospital, a interventora disse que esse não é o procedimento e que já enviou pedido de explicações sobre o fato e aguarda o resultado da sindicância para elucidação. Já no caso da comerciária, a interventora disse que, para comprovar se houve erro médico ou não o prontuário de todas as vezes que a paciente deu entrada no hospital deve ser enviado para o Conselho Regional de Medicina para uma análise técnica sobre o que aconteceu.

Os vereadores também entregaram diversos documentos que podem comprometer a gestão municipal à interventora todos coletados nos últimos meses, dentre eles prints de conversas em redes sociais, áudios e fotos. A interventora finalizou dizendo que vai criar um canal direto entre os vereadores para resolver todas as demandas levantadas pelos mesmos. “Agradeço aceitaram estar aqui, o que não fiz antes por uma questão médica em razão de ser do grupo de risco, mas me coloco à disposição não só dos senhores (vereadores), mas também de toda população candeense”, encerrou.

Cláudia Viana assumiu a intervenção fiscalizadora do hospital em 20 de fevereiro deste ano logo antes do Carnaval. Depois veio a pandemia que a impediu de vir constantemente a Candeias por ser do grupo de risco, mas, pelo que sabia, inclusive pela ex-diretora Érica Oliveira, havia avanços, mas também muito a melhorar. Participam da audiência os vereadores: Arnaldo Araújo, Diego Maia, Edmilson Amaral, Fernando Calmon, Gérson Conceição, Jorge Moura, Lucimeire Magalhães, Maria Rita, Nairvaldo Santana, Reigilson Soares, Ronaldo Neves, Rosana Souza e Sílvio Correa.

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