Candeias: Base do prefeito some para não ouvir o relatório sobre respiradores

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Câmara Municipal de Candeias / BA / Foto: Alan Bahia

Quase todos os ausentes e omissos na investigação vão as portas dos candeenses hoje pedir voto para a reeleição e garantir um salário de R$ 10,2 mil por 4 anos

Apenas 8 vereadores (todos de oposição) compareceram ao plenário da Câmara Municipal de Candeias, na tarde de terça-feira, 3/11 (Dia da Censura), o último dia para apresentação e votação do relatório final da Comissão Processante N°001/2020, que investigava as denúncias de superfaturamento na compra de respiradores e máscaras descartáveis pela Prefeitura de Candeias, o processo foi arquivado. O quórum seria de 9 e a aprovação com no mínimo 12 votos.

Os equipamentos foram comprados por R$ 175 mil mais que o dobro do preço de mercado segundo apuração do Ministério Público Federal e reconhecido pela Justiça Federal que bloqueou mais de R$ 801 mil do prefeito, da então supersecretária de Saúde e Assistência Social, de funcionários da Prefeitura e de diretores e funcionários da Manupa (que segundo o vereador Arnaldo Araújo (MDB) significa Manipulação Ultra Planejada).

Ausências

Todos os vereadores foram convocados para sessões extraordinárias nos dias 26 e 28 de outubro, e terça-feira, 3/11, mas que não foram realizadas por falta de quórum.

Nenhum dos 9 da base do prefeito, que hoje batem na porta do eleitor pedindo votos para a eleição compareceu as sessões. Eles preferem ignorar o descaso da gestão no combate à covid-19, que deixa Candeias entre as cidades baianas com mais casos (2.606) e 63 mortes, além da promessa de cesta básica que demorou quase um mês para ser entregue com o isolamento social e o comercial fechado, a proibição de circulação por 2 vezes (lockdown), a merenda escolar entregue com produtos vencidos e o auxílio municipal de R$ 250, um dos menores do Brasil.

Nunca compareceram para investigar edis que querem se reeleger:

Alcione Borges

Adailton Sales

Diego Maia

Ivan Cunha

Maria Rita

Nairvaldo Santana

Reigilson Soares (líder do prefeito)

Sílvio Correa

Valdir Cruz

Presentes:

Arnaldo Araújo

Edmilson Amaral

Fernando Calmon

Jorge Moura

Gérson Conceição

Lucimeire Magalhães

Ronaldo das Neves

Rosana Souza

Processo:

A abertura do inquérito ocorreu em julho com base na denúncia de um morador da cidade. Nesse período, foram colhidos depoimentos das testemunhas de defesa e acusação e diversos documentos. A comissão processante foi formada pelos vereadores Fernando Calmon (presidente), Irmão Gerson e Rita Loira.

O documento foi elaborado após três meses de investigação.

Denúncia:

Segundo a denúncia, a Prefeitura de Candeias adquiriu os equipamentos através de um contrato sem licitação com a empresa Manupa Comércio, Exportação, Importação de equipamentos e veículos adaptados. O inquérito aponta que o município efetuou o pagamento de R$175 mil por cada um dos oito respiradores, sendo que a Prefeitura de Salvador teria comprado equipamentos do mesmo tipo pelo preço unitário de R$ 32 mil.

A Comissão Processante apurou também se o contrato foi direcionado para a Manupa.

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