Candeias: “Não sou responsável nem culpada; quero respeito”, afirma ex-diretora

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Foto: Tudo News

“Uma retratação de parte da Secretaria de Saúde seria o mínimo que poderia fazer para reparar o dano pessoal e profissional que sofri desde então”. Ela deixou claro que não pode ser o “bode expiatório” por falhas e erros na unidade hospitalar. “Temo pela minha vida”, disse ela

A ex-diretora do Hospital José Mário dos Santos (Ouro Negro) de Candeias, na Região Metropolitana a 46 km de Salvador, Érica Santana Oliveira, foi ouvida na Câmara Municipal nesta quinta-feira, 18/06, depois de convidada pela Comissão Especial de Acompanhamento e Fiscalização para o Covid-19 para prestar esclarecimentos sobre o caso do natimorto, que ganhou repercussão nacional.

Não diferente do que disse à imprensa, Érica (foto acima) se recusou a falar sobre outros assuntos que não fosse o caso do corpo do bebê que foi preparado de forma equivoca e colocado ao lado de um contêiner de lixo do hospital.

Hoje era dia de sessão, mas, mais uma vez, a maioria dos vereadores da base fez de conta que não teria que comparecer à Câmara, e não foi. Por coincidência, o prefeito os chamou e parte deles foi para uma reunião. Interessante é que no dia de aprovação do esdrúxulo empréstimo oneroso que custou R$ mais de R$ 45 milhões (de juros) aos candeenses, todos foram. Ou seja, quem não foi sem justificativa hoje – e reunião não é – mostra que nem mesmo o papel de fiscalizar e respeitar a crise dentro da maior unidade hospitalar da cidade, eles não se preocupam. Gérson Conceição, Ivan Brito e Sílvio Correa estiveram na Casa, mas não ficaram.

Nos bastidores, a conversa era de que a publicação na imprensa da presença da ex-diretora permitiu a estratégia da base. A imprensa não pauta Executivo, Legislativo nem Judiciário. Cada um deve saber da responsabilidade que tem. E quando forem pedir votos para a reeleição devem lembrar disso. A imprensa não deve colocar lixo embaixo do tapete.

Esclarecimentos

Érica narrou com detalhes desde o momento que foi informada sobre o natimorto ainda quando se dirigia à cidade manhã de terça-feira, 9/06.

“Ainda dentro do transporte fiquei sabendo que havia três corpos no necrotério com suspeita de covid-19, e também um natimorto. Passei as orientações para a técnica de enfermagem e disse que, caso a funerária chegasse antes do esvaziamento do necrotério e desinfecção, era para levar o corpo do natimorto para ser arrumado na funerária”, relatou.

Érica disse que o problema começou quando a técnica entregou o corpo aos agentes da funerária. “Devemos ter pressa para salvar vida e não quando a pessoa já está morta. Na hora de assinar os protocolos, eles (agentes da funerária), colocaram o caixão em cima do capô do carro – o que é errado -. Eles deveriam colocar dentro do carro, pois o protocolo poderia ser assinado depois”, continuou relatando.

A ex-diretora informou ainda que o pai da criança pediu para tirar uma foto do filho. Nesse momento colocaram o caixão no chão para a foto e uma pessoa do lava-jato chamou o vereador para fazer a filmagem.

O vereador Arnaldo Araújo do MDB perguntou a Érica quem deveria levar a culpa sobre o ocorrido. Ela respondeu que não existe um culpado, mas sim uma sequência de erros. Foi perguntado também se ela temia pela vida ou estava sofrendo ameaças, ela respondeu que sim. “Temo pela minha vida, pela vida da minha família e também pela minha carreira. Cheguei ao município pelo curriculum. Estava num processo seletivo e acabei perdendo por causa desse caso. Estou sendo muito prejudicada”, lamentou.

Os vereadores também indagaram a relação de Érica com a secretária de saúde, Soraia Cabral. “Nossa relação era profissional. Nos falamos poucas vezes. Muitas vezes não obtive resposta”, revelou. Érica disse também que era perseguida no hospital e que havia um grupo de WhatsApp intitulado “fora Érica”. “Eu passei a informação para a interventora (Cláudia Viana) e pedi uma audiência com o juiz federal, mas não obtive sucesso”, contou.

Perguntada de quem partia a perseguição, ela disse que era das coordenadoras Joice Arão e Ila Pauferro.

Érica finalizou dizendo que foi exonerada de forma injusta e queria uma retratação por parte da administração municipal. Participaram da audiência os vereadores Arnaldo Araújo, Fernando Calmon, Edmilson do Amaral, Jorge Moura e Rosana Souza, que integram a Comissão da Covid-19.  A vereadora Lucimeire Magalhães, presidente da Câmara, encerrou a sessão ordinária por falta de quorum e não participou por ser uma reunião da Comissão.

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