Candeias: Prefeitura exige, mas não cumpre o que promete

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UPA, que não abriu, cesta básica que não foi entregue, produtos vencidos, Cartão Estudante Ioiô e EPI’s, principalmente os da Saúde, que servidores não receberam

Um dos espetáculos mais dantescos da atual “Indigestão Placebo” de Candeias, na Região Metropolitana a 46 de Salvador, foi protagonizado na noite de hoje, 20/05, quando foi realizada uma carreata, que envolveu a briosa Polícia Militar, para cumprir o Toque de Recolher, medida inconstitucional baixada por decreto pelo prefeito, que tem dezenas de advogados e procuradores (pagos pelos cofres municipais) à disposição para consultar. Todo gestor jura cumprir a CF quando toma posse na Câmara Municipal.

O Toque de Recolher somente é permitido quando decretado os Estados de Sítio ou de Guerra (artigos 136 e 137 da Constituição Federal). Portanto, a medida pode ser questionada e a Justiça já começa a derrubar em todo o País essas decisões inócuas e vazias de gestores que não respeitam a Carta Magna nem mesmo cumprem o que prometem em campanha nem nesta crise da pandemia.

Candeias tem a segunda maior incidência do novo coronavírus da Bahia, ficando atrás apenas de Ipiaú, no Sul do Estado. A cidade já conta com uma morte, 118 infectados e outros 27 em investigação.

Em qualquer cidade pequena ou média do Brasil, a maioria da população (de 65% a 75%) não fica nas ruas durante a noite. Ou seja, o isolamento social que se pede é de 70%. Assim, o malfadado toque de recolher é como o Cartão Ioiô do Estudante (o cartão está sendo apelidado de ioiô – vai e volta volta vazio) de R$ 50 que até hoje mais de 85% de pais e responsáveis não receberam; a reabertura da UPA (malograda); a cesta básica que mais de 75% dos 9 mil inscritos no CadÚnico não receberam também. Hoje é quarta-feira chuvosa na cidade e, óbvio, poucas pessoas circulariam. Amanhã deve aparecer na mídia que uma ou outra pessoa foi detida ou veículo apreendido. Mas, durante o dia, ninguém vê nada da “Indigestão Placebo”. E os Distritos ficam como? Abandonados.

A ajuda financeira concedida pelo Governo Federal (R$ 600) e pela Prefeitura de Salvador (R$ 270) ainda é utopia dessa administração que não cumpre o que promete e não colabora com as pessoas de baixa renda, que agora sabem o que é a expressão “Mãos Limpas”.

Uma carreata pelas ruas de Candeias deveria ser aplicada quando o prefeito anunciou a cesta básica e milhares de pais e mães de família foram para as portas dos CRAS e da Sedas e saíram de mãos vazias. Vídeos e fotos com ironias começam a circular pelas redes sociais da cidade.

A carreata tem a cobertura da Rede RC de Comunicação, de São Francisco do Conde, a mesma do contrato de R$ 249 mil para os carros de som.

A fiscalização deveria começar na sede da Prefeitura, onde diversos funcionários foram infectados, inclusive o prefeito, assim como na Sedas já amplamente divulgado e denunciado pelas redes sociais e pelos órgãos de comunicação da cidade.

Todas as medias adotadas até agora na cidade de R 440 milhões por ano e R$ 285 mi em caixa ocorreram após cidades com risco muito menor, como Madre de Deus, que tem 18% da população e uma circulação de pessoas muito menor do que a candeense.

A população não quer espetáculo nem show muitos menos Live. Quer atitude porque a Prefeitura é que tem a obrigação de fazer já que recebe R$ 36 milhões por mês de candeenses, baianos e brasileiros.

Yancey Cerqueira, Dr. h.c

DRT/BA 06 

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