Eleição em associação de cronistas esportivos foi uma indecência

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O ano é 2019. A eleição envolve pessoas de comunicação – todos radialistas, jornalistas, publicitários, etc. – profissionais que têm forte ascensão sobre a opinião pública da Bahia, e de quem se espera decência, mas a Comissão Eleitoral fez questão de imitar e se fazer igual a qualquer pleito que envergonha até quem vive à margem da Lei.

A escolha seria para a Presidência e Diretoria da ABCD (Associação Baiana dos Cronistas Desportivos) e todos esperavam uma competição sem artimanhas vergonhosas, mas, o que se viu foi levar as classes citadas a serem consideradas os ‘políticos’ desonestos que tudo fazem para estar no poder.

Depois de algum tempo, haveria o conhecido bate-chapa, e depois de anos de se esconder a eleição publicando editais em cantos de jornais para que não houvesse oposição.

De nada adiantou.

A Comissão Eleitoral aceitou, por estar no Estatuto, as famigeradas ‘procurações’ de associados. Isso beneficia apenas quem estar no poder.

Até aí é legal, mas imoral.

Porém, as ‘tais procurações já assinadas’ foram preenchidas dentro da sala non dia de votação porque sequer quem as assinou sabiam em quem iria votar.

Tenho certeza que isso não só envergonha a maioria dos profissionais envolvidos, como também coloca em xeque toda a cobrança que esses cronistas farão por ‘transparência, decência e eleições’ nos Clubes e Ligas esportivos porque também as praticam.

Imitamos lamentavelmente a ‘Lei de Gérson’, o ‘vale-tudo’ e o tempo da caverna.

Há anos não me associo livremente na ABCD. Somente o faço quando ajuízo ação na Justiça que me concede o direito porque o ex-presidente se tornou inimigo depois de ajuda-lo quando foi afastado da empresa que trabalhava, em 1995, – e ficou sem salário – e por ser diretor do Sindicato que eu presidia e com apoio da Diretoria, recebeu por 12 meses o valor de R$ 300,00 com a promessa de devolver quando do fim da ação, que terminou me 1996. Mas não o fez. O débito hoje com a entidade que lhe deu a mão quando precisou é em torno de R$ 30 mil. Um outro também recebeu, mas assim que a ação trabalhista terminou, quitou o débito.

E sinceramente, a prática não mudou.

A eleição foi eivada de vícios, indecência, imoralidade.

A ABCD não merece porque representa classes que condenam por rádios, jornais e TVs tudo aquilo que se vê na política brasileira.

Em assim agindo, concordam com todas as manobras e artimanhas praticadas na CBF, por exemplo. E ficam impedidos de criticar.

E aos amigos cronistas sócios dessa entidade! Não repitam esses atos nos próximos pleitos. Valorize o voto, e se não puder estar no dia da eleição, abra mão dele. É mais digno. A cumplicidade é flagrante.

UMA VERGONHA!

E para finalizar: ‘Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade’.

Yancey Cerqueira

Radialista DRT/BA 06

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