Ipirá: APLB condena descaso e desrespeito do autarca “Malamanhado”

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Entidade considera prefeito Marcelo ‘Malamanhado’ Brandão um “memória curta” e que trabalhadores e população viveram entre 2017 e 2018 os piores anos da Educação no município

Em carta aberta aos 65 mil ipiraenses, a APL/Sindicato classifica de lamentável a postura do autarca que volta a praticar a “demagogia” na rádio da família como fez em uma década até chegar à Prefeitura. Registra ainda os piores momentos para a cidade de Ipirá, na Bacia do Jacuípe a 210 km de Salvador com receita de R$ 125 milhões em média nos últimos 4 anos, onde faltou desde reajuste de salários até merenda escolar insuficiente.

A Carta

“A APLB/Sindicato representante legal dos Trabalhadores em Educação vem por meio deste repudiar a fala de “desabafo” do prefeito Marcelo Brandão num programa de rádio local.  Inicialmente é importante ressaltar que a APLB é um Sindicato respeitado em todo território baiano e também aqui em nossa cidade, por ter apenas um lado: O lado dos Trabalhadores, da Educação, da luta incansável por igualdade de direitos e por valorização! Ao longo de seus 28 anos de existência em Ipirá, nunca defendemos outra bandeira.  E por isso, exigimos respeito!

Diante da fala equivocada do prefeito radialista, que aparenta ter memória curta, precisamos fazer um breve histórico tendo em vista que ao longo desses 4 anos de seu governo, a APLB Sindicato (categoria) realizou inúmeras atividades, dentre elas paralisações/greves e até acampamento na Câmara de Vereadores, para garantir o direito ao reajuste dos Trabalhadores em Educação.

Em 2017 e 2018 vivemos os dois piores anos na educação de Ipirá, onde além de não ser valorizados, professores e funcionários supriram por um bom período escolas e creches da rede pública municipal colaborando para compra de material pedagógico, de limpeza e higiene pessoal para oferecer um serviço decente aos alunos. A alimentação escolar foi insuficiente durante a maior parte de todos os períodos letivos e não é difícil falar do transporte escolar que por muitas vezes foi denunciado por estar em condições precárias quando não deixava de ser ofertado em diversas localidades, prejudicando os alunos que necessitam dele para se deslocar até a escola. Ainda em 2018 fizemos greve para ter garantido o reajuste salarial, entre outros direitos da categoria.  Não poderíamos deixar de citar a alteração de jornada de trabalho (enquadramento) que diante da necessidade da rede foi efetivada com a completa mediação e participação dessa entidade, um direito conquistado com muita luta da categoria. Em 2019 a Gestão municipal suspendeu em maio o reajuste salarial dos funcionários de escolas e creches e mais uma vez após diversas tentativas de negociação não tivemos outra alternativa, a não ser recorrer ao movimento grevista.

Lembrando que em apoio a classe, a Câmara de vereadores travou a pauta de votação, cobrando um retorno do Executivo, que parcelou doze vezes o débito com a categoria.

Em 2020 a história lamentavelmente se repete! Desde o mês de janeiro tentamos negociar com a administração a concessão do reajuste. Foram várias reuniões entre janeiro e março, porém como das outras vezes, a gestão não apresentou nenhuma proposta. A APLB apresentou uma proposta nas duas últimas reuniões e quando aguardávamos uma decisão fomos surpreendidos com a pandemia causada pelo COVID-19 o que não impediria uma negociação através de reuniões virtuais. Nos causa estranheza que diante da continuidade de nossas cobranças o prefeito não queira ser responsabilizado e venha com essa historinha de politicagem.  Nos respeite!

Queremos solução para os embrólios causados pela própria gestão. O Sr. Prefeito e sua equipe são responsáveis por todo desmantelo e descaso com que os Trabalhadores são tratados.

Queremos ainda salientar alguns equívocos na fala do prefeito. A LEI COMPLEMENTAR Nº 173, DE 27 DE MAIO DE 2020 diz que os municípios afetados pela calamidade pública decorrente da pandemia da covid-19 ficam proibidos, até 31 de dezembro de 2021, de conceder, a qualquer título, vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a membros de Poder ou de órgão, servidores e empregados públicos e militares, mas o prefeito Marcelo Brandão esqueceu de falar que a publicação abre exceção em caso de sentença judicial transitada em julgado ou de determinação legal anterior à calamidade pública, ou seja o PISO DO MAGISTÉRIO  já estava estabelecido desde janeiro. Lamentamos…”

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