Justiça condena ex-executivo da Valec, mulher e filho por formação de quadrilha

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O ex-presidente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, José Francisco das Neves, conhecido como “Juquinha”, foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em Goiás, a dez anos e sete meses de prisão, além do pagamento de 980 dias-multa (cada dia corresponde a 1/5 do salário mínimo vigente à época dos fatos) pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha,

Juquinha presidiu a Valec, empresa pública da área de infraestrutura ferroviária, vinculada ao Ministério dos Transportes, entre 2003 e 2011. No período, de acordo com denúncia do Ministério Público Federal aceita pela Justiça, teve “extraordinário crescimento do patrimônio familiar” sem a respectiva correspondência com fontes de rendas declaradas.

Além de Juquinha, o juiz federal Rafael Ângelo Slomp condenou a esposa dele, Marivone Ferreira das Neves, a nove anos e dois meses de reclusão e 700 dias-multa. O filho do casal, Jader Ferreira das Neves, também foi condenado a sete anos e quatro meses de reclusão e 500 dias-multa. O regime inicial de cumprimento da pena é o semiaberto e os réus podem recorrer da sentença em liberdade.

Na sentença, o juiz federal afirma que a família Neves adquiriu “vasto patrimônio imobiliário”, composto por fazendas, lotes, casas em condomínios fechados, apartamentos, ale m de ter constituído empresas para gerirem esse o patrimônio. “A estrondosa evolução patrimonial do grupo familiar no referido período, em valores totalmente incompatíveis com a condição de servidor público do denunciado, é demonstrada por meio do laudo [apresentado na denúncia]”, afirma o magistrado.

“Como se observa, o patrimônio do grupo familiar aumentou de R$1.900.527,92, em 2002, para R$ 21.381.451,16, em 2010, o que representa incremento de R$19.480.923,24, correspondendo a um acréscimo de cerca de 1.100% em num período de apenas 8 anos, tendo o mais vultoso aumento ocorrido a partir do ano de 2006”, acrescenta o juiz na sentença.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPF, o ex-presidente da Valec e a família dele teriam se beneficiado de valores de origem ilícita por meio de superfaturamento de mais de R$ 215 milhões em contratos celebrados para a execução de obras da Ferrovia Norte-Sul. O grupo criminoso, ainda conforme o MPF, conseguiu a lavagem de mais de R$ 20 milhões, durante a gestão de Juquinha a frente da Valec.

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