Madre de Deus: Caos na saúde irrita moradora de 63 anos que vai abandonar a cidade

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Foto: Bahia Manchetes

“Não tem nada nesta cidade mais; acabou tudo”.  É assim que a moradora Raimunda Maria, de 63 anos, classifica a situação em Madre de Deus, antes de revelar que pretende se mudar do município

Ela conta que não consegue fazer os exames nem pegar os medicamentos. Segundo ela, a falta de médicos no Posto de Saúde da Família (PSF). Quem atende é a “enfermeira coitada, que virou médica”. “E a gente vai vivendo como Deus quer até um dia, até o dia que Deus me mostrar uma pessoa que compre minha casa e eu vou embora”.

A paciente que tem diabetes e hipertensão, reclama que falta especialidades médicas na cidade e que na Farmácia Básica falta até seringa.

“Exame de sangue não tem previsão quando vai ter; cardiologista não tem; endocrinologista não tem; ortopedista não tem; fitas de glicemia não tem. Não tem nada, acabou tudo! Há 15 dias passei mal aqui, com açúcar alto e pressão alta, quando cheguei no Hospital me deu um remédio e eu melhorei, e cadê o remédio de casa que eu tenho e que tomar, o contínuo que não tem, há muitos anos que não tem. Então, eu resolvi vender minha casa e estou indo embora!”, afirma.

Para a moradora que vive no município há cerca de 20 anos, Jeferson ‘veio pra acabar com a cidade’. Conta ainda, que antes dele assumir a prefeitura, o local ‘era uma maravilha’.

“Fiz tanto a cabeça da minha família para vir embora pra aqui, ainda bem que não vieram porque se viessem estavam na mesma miséria que estou agora”, ressalta a moradora em referência a falta de emprego e remédios na cidade.

Ainda conforme a dona de casa, o marido dela está desempregado há 5 anos, e que não tem parentes no município e depende da ajuda da família do marido. “Não teve exame para o Outubro Rosa e não vai ter para o Novembro Azul, porque a coisa tá preta. Madre de Deus tá de luto!”.

A moradora ainda rebateu o prefeito, que segundo ela, costuma enaltecer os serviços no município.  “Aqui é ótimo pra ele que tem dinheiro. A filha dele não vai estudar aqui e não vem pra médico aqui porque não tem médico, ele [prefeito] não vem e a esposa dele não vem”.

Dona Raimunda completa ainda afirmando que o prefeito deveria pensar nas famílias que moram na cidade e que hoje, ele está em uma boa situação amanhã pode não está.

A assessoria da Prefeitura não respondeu aos telefonemas.

A cidade na Região Metropolitana a 63 km de Salvador tem 21 mil habitantes e arrecadou em 2017 R$ 158.842.644,53, segundo o TCM (Tribunal de Contas dos Municípios).

Fonte: bahiamanchetes.com.br

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