Madre de Deus: Prefeito e vice devem romper politicamente

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Foto: Arquivo Israel Silva

O prefeito de Madre de Deus, Jeferson Andrade (DEM), ainda não confirmou oficialmente a ruptura com o vice-prefeito Jailton Polícia (PRB), mas fontes ligadas ao governo apontam que o anunciou poderá ser feito na próxima semana. A reuniu com os secretários para informar o suposto rompimento com o vice-prefeito teria sido na quarta-feira (2).

Segundo interlocutores do governo, o prefeito teria afirmado que não se sentia mais a vontade em manter a relação política com o vice. Depois disso, o Jeferson teria entrado em contato com Jailton para comunicar a decisão.

À medida que o campo no centro do tabuleiro governista se pulveriza, crescem as chances de dissidência entre aliados, com o mal-estar gerado pelo aparente rompimento. Na dividida, o deputado estadual, Nilton Bastos, não apareceu no município para evitar que o desgaste na relação com aliados e dificulte uma eventual escalada pelo comando do Executivo em 2020.

A expectativa é que a decisão de ruptura ocorra com a consequente demissão de cargos ocupados por funcionários indicados por Jailton. Por ora, aliados não descartam a possibilidade de que a informação sobre o assunto não passe de um blefe do gestor para desencorajar a campanha antecipada pela prefeitura.

Vereadores do PRB tentam evitar que a decisão seja oficializada, e que isso ajude a agravar a crise interna com o partido. Se o prefeito ignorar a Legenda, isso pode ser visto como uma afronta a sigla que poderá intensificar a votação de matérias desfavoráveis ao governo. Porém, a quem acredite, que o prefeito criou um fato político para desviar a atenção e turbinar mais verbas nas secretarias do irmão, Jacson Andrade e da esposa Naiara Cardoso.

Diante dos olhares da população, Jeferson tentava manter uma boa postura e mostrava simpatia na relação política com Jailton. Nos bastidores, não faltaram momentos de tensão, conversas e muitas divergências. Desde que o gestor assumiu a prefeitura, os atritos com o PRB só aumentaram.

A pressão para que a legenda tivesse mais espaço na estrutura administrativa ganhou corpo e para agradar os parlamentares do partido, o governo entregou a secretaria de desenvolvimento econômico a um dos vereadores, mas a sigla continuou como peça secundaria no governo.

O ápice do confronto entre Jeferson e Jailton se deu durante a eleição da mesa diretora na Câmara. O gestor tentou persuadir o vice a forçar a retirada da chapa encabeça pelo PRB. A disputa pelo comando da Casa deixou fissuras na relação já desgastada pela política de isolamento adotada pelo prefeito.

Para tentar conter a rebelião na base, o chefe do Executivo promoveu uma campanha intensa de loteamento de cargos no governo para oposição mudar o voto e frear a candidatura do vereador Paulinho de Nalva. No entanto, a estratégia não foi bem-sucedida. Com apoio de opositores, o edil venceu e fortaleceu o partido.

Principal legenda da base aliada, o PRB tem 3 vereadores, e é integrante do Bloco composto por 6 parlamentares na Câmara. O apoio ao governo, porém, nunca foi unânime dentro da sigla e as críticas se intensificaram com a crise deflagrada durante a eleição interna na Casa. O clima de rivalidade entre o partido e o governo, ficou ainda mais claro nas eleições do ano passado, quando a vereadora Joyce Lima anunciou que não iria apoiar Nilton Bastos.

Longe dos holofotes, a informação que circula em reserva, é que diante do possível desembarque de vereadores da base aliada, o mandatário já estuda uma estratégia de costurar com adversários para não perder a maioria na Câmara.

O clima de tensão sobre a ruptura de Jeferson e Jailton ocorre em um momento delicado para o prefeito, que é alvo de um processo que revelou o termo de acordo formulado na Câmara em que segundo o Ministério Público da Bahia (MP/BA), Jeferson e outros 4 agentes políticos, teriam ajustado que a eleição da chapa vencedora para a mesa diretora do poder Legislativo em 2010, estava condicionada ao rateio de verbas públicas entre eles.

O confronto entre aliados, favorece a expectativa de vereadores de oposição que pretendem afastar o mandatário do cargo. No entanto, o afastamento de Jeferson não agrada a todos os opositores do município que visualizam o fortalecimento de um novo grupo político.

A oposição na Câmara e fora dela, protocolou denúncias no MP contra o prefeito Jeferson, solicitando a apuração de possíveis fraudes em processos licitatórios. Durante a posse do novo presidente do Legislativo, na última terça, o gestor alertou a Paulinho sobre os convites que ocorrem quando se ocupa um cargo importante. Ele revelou que foi assediado por empresários ao contar que ‘recebeu propostas de diversas naturezas, inclusive, de lanchas com mulheres’ para passear na baía de Todos-os-Santos e até sair do Estado. Segundo ele, para “fazer reggaes extraordinários”.

A reportagem não conseguiu falar com Jeferson nem com Jailton sobre o assunto.

Fonte: resenhadenoticias.com.br

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