Ministro de Temer vai ser investigado pela Comissão de Ética

457
Moreira Franco vai ser ministro da recriada Secretaria-Geral da Presidência.08/06/2016. REUTERS/Ueslei Marcelino

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir dois procedimentos para investigar a conduta ética do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco. A comissão também aprovou envio de pedido de esclarecimentos ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Os procedimentos têm como base a denúncia encaminhada na semana passada pelo ex-procurador-geral da República (PGR) Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o presidente da Comissão de Ética Pública, Mauro Menezes, o colegiado vai investigar se o ministro Moreira Franco favoreceu as empresas Odebrecht e Bertin na concessão de empréstimos com recursos do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) quando ocupava o cargo de vice-presidente da Caixa Econômica Federal. E se, quando estava no banco, beneficiou a construtora durante o período em que o filho dele era executivo na empresa.

“Vamos investigar a invasão do interesse privado na esfera pública”, disse Mauro Menezes.

Procurada pela reportagem, a assessoria da Secretaria-Geral informou que o ministro não irá comentar.

Já em relação ao ministro da Casa Civil, a comissão decidiu encaminhar um pedido de esclarecimento em meio a um processo já aberto que investiga a denúncia de obstrução de Justiça por parte do ex-ministro Geddel Vieira Lima. O procedimento analisa se Geddel atuou para impedir que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba, e o operador Lúcio Funaro firmassem acordo de delação premiada.

Segundo Mauro Menezes, a comissão decidiu pedir esclarecimento a Padilha por entender que ele teria tido, conforme a denúncia da PGR, uma participação “periférica” no delito.

Em nota, a assessoria da Casa Civil informou que o ministro Eliseu Padilha não recebeu, até o momento, nenhuma solicitação de esclarecimento da Comissão de Ética Pública sobre denúncia do Ministério Público Federal. “Quando e se receber vai demonstrar que tal denúncia se encontra amparada em delações incomprovadas, fato este que levará o Judiciário a proclamar a  inocência”, diz a nota.

COMPARTILHAR