Ministro suspeito de corrupção no setor madeireiro alvo da PF

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Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

Ricardo Salles é alvo de investigação por suspeita de crimes de corrupção e facilitação de contrabando por agentes públicos e empresários

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 19/5, investigação para apurar suspeita de crimes de corrupção e facilitação de contrabando praticados por agentes públicos e empresários do setor madeireiro, tendo como um dos alvos o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A PF informou em nota que cumpre 35 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Pará e Distrito Federal, e que o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o afastamento preventivo de 10 autoridades do ministério e do Ibama.

Duas fontes com conhecimento da operação confirmaram, sob condição de anonimato, que Salles está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão.

Salles já era alvo de uma investigação no âmbito do STF, na qual foi apontado pela PF como defensor dos madeireiros.

Entenda

Investigações da Polícia Federal que envolvem Salles, e outros servidores do Meio Ambiente, apontam para a existência de um esquema de facilitação e contrabando de madeiras nobres extraídas ilegalmente no País, que teria atingido milhares de metros cúbicos.

Ministro-relator da ação, Alexandre de Moraes apontou, com base na investigação da PF, a “existência de grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais o qual teria o envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro nessa Suprema Corte, no caso, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles; além de servidores públicos e de pessoas jurídicas”.

A investigação, de acordo com as informações passadas pela PF para o STF, iniciou depois de uma consulta do governo norte-americano sobre madeiras exportadas pela empresa Tradelink Madeiras Inc. A carga, apreendida no porto de Savana, na Geórgia, não tinha documentação oficial.

Consultado, o Ibama do Pará informou que a empresa não tinha a documentação necessária e que a Tradelink teria exportado ilegalmente pelo menos sete contêineres de madeira, sendo cinco para os EUA, um para a Bélgica e outro para a Dinamarca.

A empresa foi autuada e a madeira destinada à exportação, apreendida.

Algumas semanas depois, no entanto, o governo norte-americano recebeu um novo documento atestando a legalidade da mesma madeira apreendida e declarada ilegal pelo Ibama.

A partir das informações contraditórias, o adido do Serviço de Pesca e Vida Selvagem (órgão ambiental norte-americano) da embaixada em Brasília, Bryan Landry, enviou um ofício à PF manifestando “preocupações com relação a possíveis ações inadequadas ou comportamento corrupto” de representantes do órgão ambiental brasileiro e funcionários públicos responsáveis pelos processos de certificação.

Esse foi o início da investigação que culminou na operação desta quarta-feira.

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