Morre o inventor do identificador de chamadas

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Foto do engenheiro Nélio José Nicolai

O engenheiro eletrotécnico Nélio José Nicolai, inventor do Bina, morreu, aos 77 anos. Ele inventou o sistema identificador de chamadas de telefones. O mineiro que adotou Brasília como casa foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

Segundo pessoas próximas, Nicolai tinha se recuperado de um acidente vascular cerebral (AVC) há pouco tempo e já tinha recebido alta. No entanto, apresentou problemas pulmonares nos últimos dias. O engenheiro deixa quatro filhos e dois netos.

 Durante grande parte da vida, o engenheiro lutou na Justiça para ser reconhecido como inventor do Bina, tecnologia hoje presente em todos os aparelhos celulares do mundo. Nicolai desenvolveu o sistema em 1977, quando trabalhava na Telebrasília, operadora local da Telebrás, antiga holding estatal de prestação de serviços telefônicos. O objetivo inicial era diminuir o número de trotes, permitindo a quem recebesse uma ligação saber de qual número haviam discado.

Após adaptar a tecnologia na década de 1990, ele passou 35 anos lutando para ser reconhecido como o inventor do aplicativo, adaptado por ele mesmo para uso em celulares. Ele, no entanto, nunca recebeu o direito de explorar economicamente a tecnologia.

“Morreu um gênio da tecnologia. A partir do Nélio, o mundo das comunicações ficou mais civilizado, porque mais transparente. Você passou a saber quem estava te ligando”, diz Miguel Cajueiro, amigo de Nicolai, com que trabalhou na Telebrasília.

“Era um sonhador. Uma pessoa superpositiva, que acreditava no potencial criativo do nosso povo”, elogia José Zunga, ex-presidente da Federação Brasileira de Telecomunicações.

O sistema

O Bina, especificamente, tem um certificado e uma medalha de ouro do World Intellectual Propriety Organization, que reconhece e recomenda a patente, além de um selo da série Invenções Brasileiras, concedido pelo Ministério das Comunicações. Nicolai tem ainda outras 40 patentes registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), com as mais variadas funções, desde leitores óticos para deficientes visuais até sistemas de proteção contra clonagem de cartões de crédito.

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