Morre o político e ex-marido de Dilma Roussef

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PORTO ALEGRE /RS 13-03-2013 CARLOS ARAUJO O ex-deputado Carlos Araújo foi casado por 30 anos com a hoje presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Os dois mantêm uma boa relação e Araújo é um dos interlocutores da chefe da Nação. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, ele saúda os recentes protestos populares contra a corrupção no País, mas adverte que o tema não deve ser central em nenhum governo. FOTO ANA PAULA APRATO/JC

O ex-deputado e ex-marido de Dilma Rousseff, Carlos Araújo, faleceu neste sábado, 12, em Porto Alegre, em decorrência de uma infecção generalizada. O ex-parlamentar estava internado na UTI da Santa Casa de Misericórdia da capital gaúcha desde o dia 25 de julho.

Araújo sofria de uma doença pulmonar obstrutiva crônica e deu entrada no hospital com infecção nas vias aéreas. Na última noite, o quadro evoluiu para uma infecção generalizada e ainda apresentou insuficiência respiratória.

Carlos Araújo conheceu Dilma Rousseff em 1969, quando militavam contra a ditadura militar na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Foi com ele que a ex-presidente teve sua única filha, Paula Rousseff Araújo, em 1976. O casal ficou junto até 2000, no entanto, mantiveram a amizade e a proximidade.

Além de Paula, Carlos Araújo deixa mais dois filhos, Leandro e Rodrigo, e os netos Gabriel e Guilherme.

Nomeado em homenagem aos comunistas históricos Karl Marx e Luiz Carlos Prestes, Carlos Araújo nasceu em 1938, em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul.

Em contato desde a adolescência com a militância comunista, chegou a participar, em 1958, do Festival Internacional da Juventude, em Moscou, na União Soviética. Lá, se desiludiu com a esquerda após ler sobre as denúncias de Nikita Kruschev sobre os crimes de Joseph Stalin.

Com o golpe de 1964 e a instauração da ditadura militar, passou para a luta armada com o codinome Max. Foi neste período que conheceu Dilma, mais conhecia como Estela, presa em janeiro de 1970. Araújo foi detido em julho do mesmo ano e, assim como a companheira, foi torturado pelas forças militares.

Após a redemocratização, voltou a Porto Alegre e se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), de Leonel Brizola, quem já conhecia desde a década de 1960. Pela legenda, foi eleito para três mandatos de deputado federal entre as décadas de 1980 e 1990. Em 1988 e 1992, se candidatou à prefeitura de Porto Alegre, mas foi derrotado pelos petistas Olívio Dutra e Tarso Genro, respectivamente.

Após se afastar do partido em 2000, se reaproximou em 2012, mas permaneceu apenas como conselheiro de alguns nomes.

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