O ano de 2020 foi o mais quente da história

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Aquecimento a longo prazo do planeta devido à queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras atividades humanas foram os grandes motivos

O ano passado foi, por uma estreita margem, o mais quente já registrado, anunciou a Nasa na quinta-feira, 14/1. A notícia chega enquanto a crise climática deixa a marca em 2020 por meio de altas temperaturas, enormes furacões e incêndios florestais sem precedentes.

A elevação da temperatura média global vale para a terra e o oceano, superando o recorde anterior estabelecido em 2016 em menos de um décimo de grau.

Devido a métodos ligeiramente diferentes usados, a Noaa (Administração Oceânica e Atmosférica) dos EUA julgou 2020 como um pouco mais frio do que 2016, enquanto o Met Office, do Reino Unido, também colocou 2020 em um segundo lugar. O programa de observação do clima da União Europeia coloca os dois anos em um empate.

Apesar dessas pequenas diferenças, todos os conjuntos de dados ressaltaram novamente o aquecimento a longo prazo do planeta devido à queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras atividades humanas.

Os sete anos mais quentes já registrados do mundo agora ocorreram desde 2014, com os 10 mais ocorrendo nos últimos 15 anos. Já se passaram 44 anos consecutivos em que as temperaturas globais estiveram acima da média do século XX.

Cientistas disseram que as temperaturas médias continuarão subindo devido à enorme quantidade de gases de efeito estufa que estamos expelindo para a atmosfera. “Este não é o novo normal”, disse Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa. “Este é um precursor de mais que está por vir.”

O UK Met Office já previu que 2021 também estará entre os mais quentes já registrados, com o mundo agora “um passo mais perto dos limites estipulados pelo acordo de Paris”, disse Colin Morice, cientista sênior do Met Office.

Os governos se reúnem no fim deste ano na Escócia para negociações cruciais da ONU (Organização das Nações Unidas) destinadas a acrescentar ao Tratado de Paris, que comprometeu os países a evitar um aumento desastroso da temperatura global de 1,5° C em relação aos níveis pré-industriais.

“Estamos caminhando para um aumento catastrófico de temperatura de 3 a 5ºC neste século”, alertou António Guterres, secretário-geral da ONU. “Fazer as pazes com a natureza é a tarefa definidora do século 21. Deve ser a prioridade máxima para todos, em qualquer lugar”.

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