Partidos vão escolher a quem distribuir o dinheiro do fundo eleitoral

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Presidentes e tesoureiros de partido estão com a caneta cheia para escolher os pupilos nas eleições de outubro. Com a proibição de financiamento empresarial e o fracasso das doações de pessoas físicas nas eleições municipais de 2016, restaram para as legendas os R$ 888 milhões do Fundo Partidário e os R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral para financiar as campanhas deste ano.

As regras, inclusive, ainda precisam ser definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não se sabe se ambos poderão ser usados ou apenas o fundo eleitoral, recém-criado na reforma política aprovada pelo Congresso.

Segundo especialistas, a tendência é que o presidente do TSE, ministro Luiz Fux, entenda que o fundo partidário serviria, exclusivamente, para custear a estrutura partidária.

Esse é o mesmo pensamento da vice-presidente do tribunal, ministra Rosa Weber, que estará no comando da corte durante a corrida eleitoral. As pequenas legendas pedem que todas as verbas sejam autorizadas no pleito de outubro.

“Não pode impedir. Nas eleições de 2016, o Fundo Partidário foi usado. Eu mesmo estou economizando para poder investir nos candidatos do partido”, afirmou o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson.

Essa economia, inclusive, é vista com preocupação por outros políticos. “Isso pode desequilibrar a disputa. Alguns partidos se recusam a repassar dinheiro para os diretórios regionais. No meu caso, todo o dinheiro do fundo é usado para financiar os diretórios do partido espalhados pelo país”, afirmou o presidente nacional do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP).

O grande receio é que haverá muito dinheiro na mão de poucos. As 10 maiores legendas do país concentram, segundo levantamento feito pelo banco Credit Suisse, 72% do Fundo Partidário. Juntos, PT, PSDB, PMDB, PP, PSB, PSD, PR, PRB, DEM e PTB controlam quase R$ 638 milhões dos R$ 888 milhões que constituem o fundo.

No caso do Fundo Partidário, aprovado recentemente por deputados e senadores, os três maiores partidos – PMDB, PT e PSDB – terão mais de 1/3 dos recursos disponíveis.

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