Pesquisa eleitoral dá vexame há anos

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Depois da apuração das eleições no domingo (2018), alguém no twitter comparou, com picardia, os critérios científicos das pesquisas de opinião feitas no País ao horóscopo. De fato, os institutos de pesquisa colecionaram vexames em vários Estados naquele ano e mesmo na eleição para a presidência estiveram bem longe de acertar o resultado. Virou uma lei não contestar pesquisas mesmo com erros crassos

Na eleição de 2018, os dois maiores vexames foram protagonizados pelo Ibope na Bahia e no Rio Grande do Sul. Na Bahia, o instituto errou fragorosamente o resultado pela terceira vez consecutiva. Repetiu-se o ocorrido em 2006: naquele ano, o candidato do PT, Jaques Wagner, iria, segundo o Ibope, perder no primeiro turno para o candidato do DEM, Paulo Souto; ocorreu o exato oposto e Wagner foi eleito governador na primeira volta. Este ano, no dia 4 de outubro, na véspera do pleito, após meses dando o mesmo Paulo Souto na frente, o instituto apresentou pela primeira vez um empate técnico entre ele e o petista Rui Costa. Apenas na pesquisa de boca-de-urna Rui apareceu na frente –e ganhou no primeiro turno. Detalhe: um instituto local, o Bapesp, foi ridicularizado por mostrar, todo o tempo, resultado oposto – bem como os trackings da campanha petista.

No Rio Grande do Sul, aconteceu algo pior: o Ibope conseguiu errar de forma espantosa a própria pesquisa de boca-de-urna (também errou no Rio de Janeiro). Depois de meses dizendo que a candidata Ana Amélia Lemos, do PP, era a franca favorita para vencer a eleição a governador, o instituto insistiu em colocá-la empatada em segundo lugar na pesquisa feita no próprio dia da eleição, que, por ser feita na “boca da urna”, tem uma margem de erro ínfima. Apurados os votos, não só Ana Amélia não passou ao segundo turno como o vencedor foi Ivo Sartori, do PMDB, que aparecia em terceiro lugar. Tarso Genro, do PT, ficou em segundo. A diretora do Ibope, Márcia Cavallari, disse que o erro aconteceu porque a boca-de-urna “usa metodologia totalmente diferente e tecnicamente não tem o mesmo rigor”. Ora, se não tem rigor, por que é divulgada?

Chama a atenção, tanto no caso do Rio Grande do Sul quanto no caso da Bahia, que os candidatos derrotados (e beneficiados pelas pesquisas durante meses a fio) possuam ligações com as afiliadas da Rede Globo em ambos os Estados. Ana Amélia é ex-funcionária do grupo RBS; Paulo Souto era o candidato de preferência da TV Bahia, propriedade da família do falecido senador Antonio Carlos Magalhães e do prefeito ACM Neto, do DEM. Detalhe: as pesquisas do Ibope foram feitas sob encomenda das emissoras de TV. Como não ficar com a pulga atrás da orelha?

Ainda em 2018, a revista Época tirou da cartola pesquisa de um tal instituto Paraná na qual Aécio Neves aparece com 54% e Dilma Rousseff com 46% no segundo turno. Apesar de o instituto ser totalmente desconhecido, a revista da Globo destacou a pesquisa que mostra o tucano na frente curiosamente em um momento em que é necessário uma pesquisa positiva para exibir no horário eleitoral.

Já apareceu outro instituto desconhecido, um tal de Veritas, “coincidentemente” dando o candidato do PSDB na frente. E agora a revista IstoÉ, que de repente começou a fazer campanha pró-Aécio, também apareceu com uma pesquisa… Até a eleição não vai parar de aparecer pesquisas. Ignore-as. Tanto as favoráveis quanto as contrárias. Não dá para confiar em nenhuma.

Candeias

Em Candeias, os institutos ouv63em em torno de 630 eleitores, menos de 1% de 64 mil 700, e afirmam que acertam na intenção de votos. A pesquisa ouve 1 em cada 100 eleitores ou eleitoras, e ainda quer acertar.

Nas últimas 3 eleições, erraram em todas e quem liderava a pesquisa não foi eleito.

Se em 2016, o atual prefeito teve 25 mil votos ou 51%, como agora com 8 concorrentes pela pesquisa vai ter 21 mil votos?

Pesquisa que vale é do dia 15 de novembro.

O número de indecisos (20%) é ainda suficiente para mudar o quadro na eleição verdadeira.

E tenham certeza: as pesquisas errarão de novo para manter a tradição.

Muitos não informam em quem votar por receio de perseguição e represália.

Qualquer dos candidatos pode ganhar, mas ninguém com os dados das pesquisas registradas.

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