Polícia inocenta advogado de Bolsonaro de acusação de assédio sexual

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Frederick Wassef é advogado do presidente Jair Bolsonaro e de outras pessoas da família dele

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que o advogado Frederick Wassef não assediou uma mulher casada num restaurante de Brasília no fim de agosto, ao contrário do que alegou o marido dela. Após rever imagens das câmeras de segurança e conversar com testemunhas, os policiais concluíram que Wassef não se aproximou da mulher e foi, na verdade, vítima de uma tentativa de homicídio. Wassef é advogado do presidente Jair Bolsonaro e de outras pessoas da família dele.

O entrevero aconteceu em uma unidade do restaurante Chicago Prime, uma casa especializada em carnes, no Lago Sul – o local fica perto da região conhecida como “Península dos Ministros”, uma das mais nobres de Brasília. Wassef foi atacado com uma faca do próprio restaurante pelo empresário do agronegócio Adroaldo Juliani, que estava no restaurante com a mulher Márcia e a filha do casal. O ataque aconteceu depois de Márcia dizer ao marido que tinha sido assediada por Wassef no banheiro do restaurante. A versão, no entanto, seria falsa, segundo a polícia: as imagens mostram que Wassef não se encontrou e nem esteve no banheiro com Márcia.

As diligências, inquirições (depoimentos) e as filmagens do circuito de segurança do estabelecimento, que foram obtidas durante as investigações policiais, apontam de forma segura e incontestável que jamais a vítima Frederick Wassef se aproximou de Márcia Janete Juliani ou do banheiro feminino, muito menos de qualquer outra mulher, restando absolutamente comprovado que em nenhum momento houve qualquer “assédio”, “gracejo”, “cantada”, conduta inapropriada ou mesmo uma simples conversa“, diz um trecho.

A análise (…) demonstra que as “acusações” feitas pelo indiciado (Adroaldo) no local dos fatos, a partir de uma alegação de sua esposa, são inverdades, e que tais inverdades quase foram usadas para justificar um crime de homicídio. As filmagens mostram com nitidez e clareza que a vítima Frederick Wassef não foi e muito menos chegou perto do banheiro feminino ou de Márcia“, diz o relatório da Polícia Civil, assinado pelo delegado plantonista Sérgio dos Santos Filho no dia 18 de setembro.

Segundo o relatório da polícia, Márcia discutiu com Wassef depois de ela e a família consumirem grande quantidade de bebidas alcoólicas – a conta do grupo naquela tarde fechou em R$ 1.230,57, e incluiu 20 chopes, nove caipiroscas de caju, duas caipirinhas e duas garrafas de vinho, consumidos por cinco pessoas. Adroaldo, que se diz simpatizante de Bolsonaro, chegou a tentar se desculpar com Wassef. A família foi embora do restaurante depois da discussão, mas depois fez meia volta na caminhonete e voltou ao local. Adroaldo teria entrado no Chicago Prime disposto a matar Wassef.

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