Polícia procura milicianos ligados ao ex-capitão Adriano

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Foto: Reprodução Internet / Adriano da Nóbrega, ex-capitão da PM/RJ

O ex-policial, acusado de comandar o grupo conhecido como ‘Escritório do Crime’, foi morto no ano passado. Um dos alvos da operação de hoje, o sargento PM Luiz Carlos Felipe Martins, foi assassinado no último sábado. A viúva Julia Emilia Mello Lotufo está foragida

O Ministério Público do Rio deflagrou nesta segunda-feira, 22/3, a operação Gárgula, visando prender uma organização criminosa, na qual dois policiais militares estão envolvidos, sob a acusação de lavar dinheiro do miliciano e ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em fevereiro do ano passado na Bahia.

Ao todo, três mandados de prisão e 27 de busca e apreensão são expedidos pela Vara Criminal Especializada da Capital. Nove pessoas foram denunciadas. Entre os alvos com mandados de prisão expedido está Julia Emilia Mello Lotufo, viúva do ex-policial, que é considerada foragida.

O MP prendeu o soldado da Polícia Militar Rodrigo Bitencourt Fernandes Pereira do Rego, apontado como um dos laranjas do miliciano. No imóvel dele, na Zona Oeste do Rio, foram apreendidos dois carros de luxo possivelmente comprados com dinheiro ilegal.

Outro alvo da operação, que deveria ser preso, era o sargento PM Luiz Carlos Felipe Martins, de 50 anos, conhecido pelo apelido de ‘Orelha’. O policial, que era amigo de Adriano da Nóbrega, foi morto no fim de semana ao sofrer um ataque a tiros na porta de casa, em Realengo, na Zona Oeste do Rio.

Uma mulher também foi detida. Carla Chaves Fontan está entre os denunciados no documento do Ministério Público. Na casa dela foram apreendidos R$ 75 mil em dinheiro. Ela não soube explicar a procedência do valor encontrado em seu imóvel.

A Justiça do Rio determinou o sequestro do Haras Fazenda Modelo, automóveis e bloqueio de bens de R$ 8,4 milhões, correspondentes ao valor mínimo constatado em movimentações pelos criminosos.

O ex-policial militar e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Adriano da Nóbrega, foi apontado em investigações da Polícia Civil e do MPRJ como chefe da milícia na Muzema e em Rio das Pedras, na Zona Oeste. Ele também comandava um grupo conhecido como ‘Escritório do Crime’, que cobrava dinheiros para cometer homicídios.

Após a morte, em fevereiro do ano passado, no sítio do então vereador pelo PSL Gilsinho da Dedé, na zona rural de Esplanada (BA), o MP identificou uma rede de apoio que lavava o dinheiro obtido por ele nas práticas criminosas.

A viúva Júlia Lotufo, por exemplo, é apontada pelo MP como responsável pela contabilidade e pela gestão financeira dos lucros das atividades criminosas.

Já o PM Rodrigo Bittencourt, preso nesta segunda-feira, era usado como laranja para obter empresas de fachadas. Essas empresas eram usadas pela quadrilha para ceder empréstimos com juros abusivos, que eram cobrados de forma violenta e ameaçadora. O Pm era responsável pela Cred Tech Negócios Financeiros LTDA, que entre 1º de agosto de 2019 a 28 de abril de 2020, movimentou R$ 3,6 milhões.

O sargento Luiz Carlos Felipe Martins, morto no último sábado, 19, era quem auxiliava a administração dos valores que seriam colocados para empréstimo. Além de homem de confiança do miliciano, Orelha era responsável por levar dinheiro a familiares e prestadores de serviços de Adriano e pelo pagamento das despesas pessoais do patrão com aluguel, carros e cartões de crédito.

Adriano da Nóbrega e Luiz Carlos faziam parte do GAT (Grupamento de Ações Táticas) do 16º BPM (Olaria), conhecido como a ‘guarnição do mal’ por aterrorizar as principias comunidades da Zona Norte do Rio. Os dois receberam a Medalha Tiradentes, conhecida por ser a mais alta honraria da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), das mãos do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, em 2005. Adriano não compareceu porque era suspeito pela morte de um guardador de carros que, na véspera do assassinato, tinha denunciado um grupo de milicianos.

Adriano era amigo do ex-PM Fabrício Queiroz, ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro. A ex-mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio, segundo o MP.

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