Prefeito baiano pode pedir música

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Depois de 3 decretos de estado de calamidade pública em 45 dias – sem ações positivas para o povo –, assim como artilheiros que fazem 3 gols numa partida, o prefeito da maior “Indigestão Placebo” da história da Bahia pode pedir música num programa de TV

Em 45 dias – de março a abril –, a administração de Candeias, na Região Metropolitana a 46 km de Salvador, publicou 3 decretos de estado de calamidade pública: Buraco na Ladeira de Bazinho – a espera de solução; Pandemia da Covid-19 (essa crise imprevista) e para o excesso de chuva, que todas sabem ocorrem nesses meses quase todos os anos.

Apesar dessa manifestação de intenção (e todos conhecem o ditado – precisa prevenir?) praticamente nenhuma medida que diretamente ajudasse a população de baixa renda nesse período foi adotada pela caótica administração do município que arrecadou mais de R$ 1,1 bilhão (um bilhão) em 3 anos e 3 meses.

Para ilustrar, em 2018, a Justiça liberou R$ 47 mi (quarenta e sete milhões) do Fundeb, parcela de R$ 117 mi, que poderia ser usada na reforma de creches e escolas, mas as unidades estão sucateadas e sem equipamentos adequados para uma boa qualidade de ensino.

Covid-19

Com relação à pandemia mundial (quase 20 países registram mortes e milhares de casos), a “indigestão placebo” nada fez que pudesse ajudar os 27 mil habitantes de baixa renda da cidade, que tem 9 mil inscritos no CadÚnico (parte dos quais recebe o Bolsa Família).

Não houve auxílio financeiro, de alimentação nem psicológico apesar do fechamento do comércio, do isolamento social e de milhares de candeenses, que vivem no mercado informal (ambulantes, vendedores de porta em porta, baianas de acarajé, feirantes, mototaxistas, taxistas) que perderam a já pequena renda diária para manutenção da família.

Acrescente-se a isso, o descaso com os profissionais de saúde – que não receberam os EPI’s suficientes ou de boa qualidade –, as máscaras não tinham inicialmente para todos e alguns receberam as caseiras, impróprias, e servidores e funcionários do grupo de risco trabalhando sem as mínimas condições. Aliás, essa gestão é líder em tratamento desumano para os “colaboradores” responsáveis pela prestação de serviço à sociedade.

Os 3 decretos por si só já permitem a inscrição no programa de TV para pedir música e a população conhecer efetivamente o significado da expressão “Mãos Limpas” na cidade que tem R$ 285 milhões em caixa para engordar banqueiros e vai receber mais R$ 8 milhões para combater a pandemia.

O povo espera que efetivamente a verba seja investida para não ocorrer a mesma coisa como as creches e escolas que hoje têm à disposição R$ 125 milhões e não precisamos falar da condição de paredes, telhados, instalações hidráulicas e elétricas nessas unidades.

Promessas:

UPA – anúncio de reabertura que não se concretizou;

R$ 50 – verba seria destinada a alunos da rede municipal. Quase 1 mês depois nada. Anunciam agora que vai sair. Estômago espera?;

Cesta Básica – anunciado na rádio há 1 mês a população foi para a porta dos CRAS e da Sedas esperar a cesta de alimentos. Nada até agora;

Barreira sanitária – a ação é seletiva. Os funcionários – quando estão trabalhando e não têm culpa – escolhem os motoristas que vão lavar os pneus.

Tudo isso vai ser feito a partir de agora depois de 45 dias.

A gestão tem um médico como prefeito e a super-secretária (de saúde e assistência social) é assistente social com um orçamento para este ano de R$ 120 milhões. Ou seja, a esperança de apoio a essa população que mora e vota em Candeias é grande. As ações é que ficam a desejar, e muito.

Yancey Cerqueira, Dr. h.c

Radialista DRT/BA 06

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