R. do Jacuípe: PCdoB, Zé Filho e Laurinho se unem pela Presidência da Câmara

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Foto: Redes sociais

Derrotados na eleição passada, Zé Filho e Laurinho contam com apoio do PCdoB, que vai ter o primeiro presidente, e juntos vão eleger o comando do Legislativo no 1º e 2º biênios

A oposição ao futuro governo municipal começou mais cedo do que poderia se imaginar, afinal Carlinhos Matos (DEM) sequer assumiu a chefia do Executivo Municipal, o que vai ocorrer somente em 1º/01/2021.

Uma reunião que contou com atual prefeito, Zé Filho (PSD), que perdeu a eleição por  1.387 votos no último dia 15 para Carlinhos Matos (DEM), o inelegível ex-prefeito Lauro Falcão, representantes do PCdoB e da futura Câmara de Riachão do Jacuípe, na Bacia da Jacuípe a 195 km de Salvador, decidiu a composição das futuras Mesas Diretoras da Câmara para os biênios 2021/22 e 2023/24.

No primeiro, Zil da Barreiros, do PCdoB, mesmo partido do candidato a prefeito Lucas Willian, vai ser o presidente do Legislativo, e Marquinhos Maluco o vice. A composição se completa com os 1° e 2º secretários.

No segundo biênio – daqui a mais de 2 anos –, vai caber ao grupo do prefeito Zé Filho, que elegeu 6 dos futuros edis tendo a maior bancada, indicar o presidente da Câmara.

Denominada por eles de “reunião pela democracia”, a presença de ex-adversários políticos e que juntos perderam a reeleição do atual prefeito, essa junção não foi bem recebida no meio nem em parte da sociedade jacuipense.

Muitos estranham que o PCdoB, presidido por João do Sindicato, e que elegeu 2 vereadores (Zil e Adonias), se una nessa composição a Lauro Falcão, ex-prefeito, que elegeu o filho (Gabriel) vereador, mas está inelegível e responde a vários processos por causa da Fundação Lauro Falcão em cidades como Belmonte, Ourolândia, Jacobina e outras, e o vereador Lucas Willian, que fez oposição a Zé Filho e foi candidato a prefeito com críticas à gestão por muitos anos, se integre politicamente a esse grupo.

A junção foi de logo anunciada nas redes sociais pelo ex, Laurinho, e pelo prefeito Zé Filho que, nos últimos dias, viveu com desgaste de um inimaginável áudio de familiares com críticas a correligionários e supostas denúncias de compra de votos na eleição de novembro último. Sequer o mandatário se manifestou por quaisquer meios. Inclusive, alguns dos “citados na reunião familiar” posam na foto da reunião de ontem, 3/12.

Lucas Willian

Por telefone, o vereador Lucas Willian esclarece que é uma junção apenas para uma composição na Casa Legislativa, mas não necessariamente um alinhamento político com Zé Filho nem Lauro Falcão.

Inclusive publicou a seguinte nota:

“Em primeiro lugar, quero aproveitar a oportunidade e parabenizar nossos vereadores reeleitos Beto de Eny e Zil de Barreiros, ambos do PCdoB, pelas suas expressivas votações nas eleições deste ano. E agora, as tratativas caminham para a composição da mesa diretora da Câmara Municipal para os próximos quatro anos (2021-2024). Nesse sentido, Zil foi colocado como o nome das duas oposições para ser o próximo presidente da Casa Legislativa, cuja eleição da mesa irá ocorrer no próximo dia 1º de janeiro. Vale destacar que o PCdoB não se uniu ao outro grupo de oposição, portanto, temos dois grupos opositores ao prefeito eleito. Dentro do processo democrático, é natural que o diálogo aconteça, até para que haja a composição da chapa. Nesses quatro anos em que estou vereador, os grupos de oposição sempre trilharam juntos sem perder a sua identidade, construindo alternativas e pautando Riachão conjuntamente, mesmo que isso não significasse parceria política fora da Câmara. Nosso trabalho de oposição continua nesse mandato e continuará firme e forte no próximo, representado na Câmara pelos nossos companheiros Zil e Beto. Claro, oposição com coerência, responsabilidade e cuidado com Riachão, como sempre foi!”.

Em entrevista às Rádios Jacuípe AM e Baiana FM, o prefeito eleito Carlos Matos, quando questionado sobre a ´possibilidade da vinda de alguns vereadores para a base, foi taxativo: “Recebemos a todos, só não faremos nenhuma barganha para ter o apoio de nenhum deles em nossa base”. Essa revelação de Matos parece ter antecipado a decisão de alguns vereadores a se unirem em nome de uma “oposição forte”, apesar de que Carlos Matos sequer assumiu a Prefeitura.

NR.: A democracia presume obrigatoriamente a alternância de poder. Quem ganha recebe o respaldo popular para administrar a cidade por 4 anos. A oposição política é legitima e democrática. O que os novos edis não devem fazer é oposição aos cidadãos e cidadãs jacuipenses. Precisam cumprir o papel de legislar (propor e aprovar leis), fiscalizar e respeitar os votos que os elegeram esperando um Riachão do Jacuípe melhor para todos.

Não podemos esquecer que a atual Câmara foi palco de episódios deprimentes com acusações de dossiês e de que “havia bandidos e canalhas”, etc. que nunca foi esclarecido pelo senhor Toninho da CTI, derrotado nas urnas.

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