Recife: Fundação apresenta edição online sobre Antônio Conselheiro

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Foto: Fundação Joaquim Nabuco (Recife/PE)

A Quarta edição da série Grandes Personalidades da História do Nordeste, nesta quinta, 9/07, a partir das 17h, recebe o acadêmico da APL, José Nivaldo, Júnior em transmissão no YouTube

Uma das figuras mais potentes e contraditórias, do século 19, surgiu no Sertão Profundo. Antônio Vicente Mendes Maciel (1830–1897), o conselheiro, construiu uma trajetória guiada por uma interpretação particular da fé, ora ancorada em preceitos católicos ou na leitura do místico Lunario Perpétuo. Para refletir sobre o cearense, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) recebe o historiador José Nivaldo Junior na quarta edição da série Grandes Personalidades da História do Nordeste nesta quinta-feira, 9, às 17h. A iniciativa é da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), da Casa. A palestra “Antônio Conselheiro: o revolucionário conservador” contará com a mediação do jornalista Marcelo Abreu e será transmitida no canal oficial da instituição pernambucana no YouTube.

O ‘peregrino’, como se auto intitulava Antônio Conselheiro, guiou o povo deixado à própria sorte, formou um dos movimentos populares mais significativos daquele tempo e lugar. Construiu e restaurou capelas, igrejas, cemitérios e ergueu o povoado de Belo Monte — imortalizado como Canudos. A dimensão do fenômeno incomodou o clero e deixou alerta a jovem República do Brasil, que, em 1897, aniquilaria o lugar e cerca de 25 mil pessoas. Dentre elas, o asceta. “A História do Brasil tem várias situações de grandes conflitos e violências, no enfrentamento do Estado contra civis, dando razão àquela ideia de Weber de que o Estado exerce o monopólio do uso legítimo da violência. Nenhum desses episódios é mais emblemático de uma tragédia que o de Canudos”, destaca o diretor da Dimeca, Mario Helio Gomes.

A tragédia de Canudos ainda hoje reverbera na literatura. Rendeu duas obras-primas da literatura latino-americana: Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, e A guerra do fim do mundo (1981), de Mario Vargas-Lhosa. Obras que aproximaram o historiador, consultor em comunicação e membro da Academia Pernambucana de Letras José Nivaldo Junior da figura do Conselheiro. “Li e reli Os Sertões quase criança. Li João Abade [guerrilheiro do séquito do líder religioso], livro extraordinário. Mais tarde, Cangaceiros e Fanáticos, de Rui Facó, até hoje o meu grande referencial sobre o Conselheiro. Li, naturalmente, A guerra do fim do mundo e dezenas de livros, artigos e publicações sobre os movimentos sociais tratados como fanatismo”, relembra.

Para o palestrante, o Conselheiro desafiou a ordem estabelecida inspirado pelo comunismo do Cristianismo dos primeiros tempos. Seu discurso era aparentemente retrógrado, porém mais retrógrada era a realidade social da região no final do século 19”, comenta o historiador, que, ao ser provocado sobre as diversas leituras que tem o personagem é categórico. “Ele não foi de jeito nenhum maluco ou fanático. É difícil rotular uma pessoa que era ao mesmo tempo ponto de convergência e irradiação dos grandes contrastes da sua época e do seu lugar”, defende.

Autor do best-seller internacional Maquiavel, o Poder: história e marketing (2012), José Nivaldo Junior destaca que tanto o filósofo europeu, quanto o personagem nordestino foram intérpretes das contradições do seu tempo e lugar. “As semelhanças param aí. Maquiavel mostrou o universo da política como ela é. Não pretendia mudar o mundo e sim explicar. O Conselheiro usava a política para mudar a vida, oferecer opção e esperança para as pessoas.” Embora traga a bagagem cheia dos estudos sobre o personagem, o palestrante conta que é a primeira vez que o abordará. “Sua obra foi fisicamente destruída. Euclides falou em Tróia Sertaneja. Prefiro comparar com Cartago. Belo Monte foi destruída, mas a figura do redentor mítico e místico ainda habita no imaginário sertanejo. Como personagem histórico, o Conselheiro só tem a crescer com o passar dos anos”.

Sobre o palestrante

José Nivaldo Junior é bacharel em Direito e mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco, onde lecionou por 20 anos na graduação e mestrado. Publicitário, consultor em comunicação, palestrante, é autor do best-seller internacional Maquiavel, o Poder e de três romances de sucesso, com enredos de temática histórica. Ocupa a cadeira 8 da Academia Pernambucana de Letras. Atualmente, integra o Seminário de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco. Dentre os tópicos, abordará 1. Como nasce um profeta sertanejo; 2. A construção da utopia; 3. O modelo social de ruptura em Belo Monte; 4. As razões do extermínio.

Serviço

Grandes Personalidades da História do Nordeste — edição IV

Palestra: Antônio Conselheiro: o revolucionário conservador

Data: quinta-feira, 09 de julho de 2020

Horário: 17h

Via YouTube, no canal oficial da Fundação Joaquim Nabuco

Acesso livre (gratuito)

Fonte: Ascom Fundaj

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