Salvador: O caos omitido do suposto ‘Festival’ da Virada

1961
Um dos momentos de fim de briga Foto: Tudo News

A área estava mais para pocilga ou curral do que arena para show destinado a humanos 

Os artistas – grande parte deles – são de qualidade muitíssimo duvidosa. Famosos na mídia, que recebe para toca-los nas rádios, TVs e citar sempre como fenômenos, sãos faladores, ou gritadores nos microfones do que efetivamente cantores sem nenhuma nostalgia.

Na noite de ontem, 30, que não posso chamar de show, vi, para poder comentar, as participações de Anita e Jorge & Matheus que apenas empolgam por bordões musicais sem nenhuma inspiração, foram melancólicas, dispensáveis e perigosas porque mesmo com aproximadamente 10 focos de briga em 3h sequer os mesmos se preocuparam com o que estava acontecendo embaixo numa área inadequada, inapropriada e que deveria ser preparada para receber seres humanos, pois parecia área de pasto para gado que o proprietário sabe não vai dar lucro.

PM e GM – Indiferentes e truculentas

Durante as participações citadas, as despreparadas Polícia Militar da Bahia – até experiente em eventos com a presença de grande público – e a Guarda Municipal de Salvador, que ainda buscar conhecer um terreno para a qual não foi treinada, desfilavam com “homens em média de 1,8 metro de altura”, enfezados, armados com enormes cassetetes, as antigas e temidas ‘fantas’, aos empurrões contra incautos cidadãos e cidadães que, em muitos casos por falta de recursos para um local mais decentemente arrumado por quem pretende organizar, sempre estavam omissas nos ‘grotões de brigões’, que ameaçam, aterrorizavam e amedrontavam senhoras, mulheres, crianças e até adolescentes.

Hoje, com câmeras que visualizam quaisquer locais e os ‘drones’ espero que o poder público municipal faça uma avaliação séria e sincera para reparar os graves e perigosos falhas e erros para tratar bem e salvar vidas de serenos humanos.

Área – um horror

Não sou muito e quase nada afeito a esses ‘supostos shows’ arrecadadores de dinheiro e simpatia, no caso específico de políticos não do tipo apenas ‘pão e circo’, porque é apenas circo já que a Região Metropolitana de Salvador tem 530 mil desempregados, e como a capital representa mais de 70% da população da RMS acredito que o 350 mil soteropolitanos estejam sem emprego. Isso não é novidade. Há 42 anos na imprensa, tenho certeza que, em pelo menos 35 vezes, Salvador é campeã do desemprego e desde os tempos do Carlismo aos dias atuais sempre com esse desonroso troféu.

Sequer a Prefeitura de Salvador cuidou da superfície do local. Cheia de ondulações, buracos, declives e aclives muitos torceram o pé, caíram e espero sem graves consequências. Embora concorde que os vendedores ambulantes precisam expor as mercadorias, eles se misturavam (misturam) no meio do público que fica mais apreensivo do que se divertindo. Porque não áreas exclusivas nas bordas?

Leonel Brizola construiu o Sambódrono há mais de 30 anos. Que sirva de exemplo a ser seguido.

Cantores

Nunca havia escutado mais do que 15 segundos de Anita e Jorge & Matheus, e vou continuar sem ouvir.

Músicas pobres de letras, melodia, ritmo e sem harmonia. Mais gritam do que cantam, se é que cantam. Mas, pela influência que os empresários têm na grande mídia, principalmente nas produções dos ‘programas’ de TV, estão sempre no ar. No passado, recebiam cachê. E hoje? É melhor não comentar.

Anita mais parece exibicionista de corpo do que é bailarina, cantora e artista, e Jorge & Matheus, que horror.  Ambos não passariam num concurso de calouros de Aberlado Barbosa, o Chacrinha, num dia de baixa qualidade. Ouvia isso não sabia o que era “uns senem prazer; outros agonia”. Explicado.

Se querem dar alegria ao povo, respeitem oferecendo área com qualidade, cantores e cantoras qualificados, porque se vamos virar de ano, nada deve mudar na cúpula política baiana.

Triste Bahia, que vergonha chamar isso de festival. É quase um risco à vida estar lá.

Yancey Cerqueira

Radialista DRT/BA 06

COMPARTILHAR